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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 10 de julho de 2020.
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Meu (muy) amigo computador



Imagem (2003) Randy Glasbergen

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O advogado e escritor Antonio Silvestri, ao ler “As sutilezas do significado”, no Escreva Direito da semana passada, lembrou-se de alguns casos em que ocorre adaptação de significado a novas situações em que as palavras são usadas. Ele os compartilhou. Observem:

- LEGAL: Como se nada tivesse a ver com a legalidade, exploramos sutil, quase imperceptível, semelhança e usamos na linguagem coloquial para dizer que está bom, está bem, tudo em paz, tudo tranquilo.

- ACHAR: Esquecendo que achar é resultado do ato de procurar, usamos com o sentido de ter opinião, de entender (é certo que procuramos em nosso cérebro...). Exemplos: Eu acho que existe vida fora da terra, acho que não vou; acho que não é assim. Em texto argumentativo, este uso deve ser evitado, porque empobrece o argumento; se apenas acha, é porque não tem certeza.

- SECAR: Argumenta Antonio Silvestri sobre a frase “A água do rio secou”: “Mas existe água seca?”. Antes que alguém pesquise sobre o assunto, corrija-se a frase: “O rio secou”.

- LUZ/LÂMPADA: Pedem para ligar a luz, mas o que se faz é ligar a lâmpada. Consagrou-se também acender a lâmpada, quando o sentido original de “acender” é atear fogo, forma mais antiga de fazer luz.

- DAR: Dizemos que “não deu” para superar o obstáculo. Não deu, ou não foi possível? Outra vez, a palavra assume novo significado.

- CORTAR: Por semelhança com o sentido original, usamos “cortar” caminho, em vez de encurtar, abreviar. Qual a semelhança? Resposta: tudo o que se corta fica mais curto...


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Diz a regra: “Usa-se hífen em combinações substantivas cujo segundo elemento é indicativo de tipo, forma ou finalidade”. Trocando em miúdos: sempre que o composto é formado por dois substantivos e o segundo informar sobre tipo, forma ou finalidade em relação ao primeiro, usa-se hífen. Bingo!

Imagem (2003) Randy Glasbergen

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O Espaço Vital está repetindo hoje (16) a coluna de sexta (12), em decorrência de a publicação ter ocorrido com cortes - pelo que nos desculpamos com os leitores. O articulista observa que “algumas normas gramaticais são subjetivas, dependentes da inteligência intuitiva, não podendo ser interpretadas e aplicadas pela inteligência artificial do computador”.