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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 27 de novembro de 2020.
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O Facebook apagando contas que apoiavam ou criticavam o governo



Sem pensar aqui em questões partidárias ou políticas e, nem mesmo entre o certo e o errado - uma vez que houve apagão de contas tanto da esquerda como da direita noticiados na mídia (esquerda em junho; direita em julho), o que importa na conjunção é que a mesma nos remete para algumas questões fundamentais nos tempos atuais:

1. Redes sociais são meios de comunicação entre o governo e a população.

Prova clara disto são as declarações, discussões e tudo mais que temos no/pelo Twitter, campanhas pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, sem falar em perfis falsos, robôs e tudo mais. Tudo “vale” tanto para impelir fatos, de um lado ou de outro -, afinal, além dos perfis falsos e impulsionamentos feitos por estes, temos além da intenção desta atitude, o pior. Quem acredita no difundido nestes perfis e ainda os compartilha?

2. Quem controla a mídia controla a situação.

Reflexão necessária para não nos tornar efeitos do pensamento alheio. Seria simples e fácil. Entretanto, para muitos é complexo e impossível.

Ao ler algo na internet, pense no que está diante de seus olhos, e na possibilidade de aquela notícia realmente existir. Imagine: por que acreditar que um saite ou perfil que ninguém nunca viu, estar sabendo de algo que todo mundo ainda não sabe.

E mais óbvio ainda: somente compartilhe (ou seja, dê o seu aval, a sua indicação, a sua credibilidade) se você sabe da veracidade.

Cabe aqui citar as três peneiras de Sócrates para quem quer uma referência de como agir:

"Um homem foi ao encontro de Sócrates levando ao filósofo uma informação que julgava de seu interesse:

- Quero contar-te uma coisa a respeito de um amigo teu!

- Espera um momento – disse Sócrates. Antes de contar-me, quero saber se fizeste passar essa informação pelas três peneiras.

- Três peneiras? Que queres dizer?

- Vamos peneirar aquilo que quer me dizer. Devemos sempre usar as três peneiras. Se não as conheces, presta bem atenção. A primeira é a peneira da VERDADE. Tens certeza de que isso que queres dizer-me é verdade?

- Bem, foi o que ouvi outros contarem. Não sei exatamente se é verdade.

- A segunda peneira é a da BONDADE. Com certeza, deves ter passado a informação pela peneira da bondade. Ou não?

Envergonhado, o homem respondeu:

- Devo confessar que não.

- A terceira peneira é a da UTILIDADE. Pensaste bem se é útil o que vieste falar a respeito do meu amigo?

- Útil? Na verdade, não.

Então, disse-lhe o sábio, se o que queres contar-me não é verdadeiro, nem bom, nem útil, então é melhor que o guardes apenas para ti. (Texto extraído da internet).

3. O poder da tecnologia é incalculável.

Estamos vendo uma disputa que pode ser de egos, de situações e interesses muito maiores que a mídia normal pode supor - a imaginação é livre quando as bases são apenas achismos. Entretanto, há um fato que precisamos analisar com cautela: o que uma empresa consegue fazer numa simples atitude de fechar contas de apoiadores ou não de governos pode mudar relações diplomáticas, quiçá rumos eleitorais.

Sem esquecer que tudo isto já foi e ainda é debate nos próprios Estados Unidos, onde a mesma empresa é acusada de auxiliar de maneira escusas a eleição do atual presidente.

Reitero que o debate aqui não é político. Porém, estamos delegando poder demasiado de quem diz/sabe/supõe a verdade a um único lado, a uma única empresa que detém mais de 3 bilhões de cadastros no mundo todo, somando suas principais plataformas (Facebook, Instagram, WhatsApp).

E o que podemos fazer a respeito?

Pensar, caro leitor. Pensar. Este é o poder mais forte que o ser humano tem contra a máquina.

#ParaReflexão

Coloco o meu endereço de e-mail à disposição dos leitores. Comentários, sugestões etc. serão bem-vindos: gustavo@gustavorocha.com


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