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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 23 de outubro de 2020.
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O talk show do juiz



Imagem: Freepik - Edição EV

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Ele cumpria obstinadamente os horários previstos para as audiências pautadas. Outra característica dele, a de tentar se aproximar das partes e dos advogados promovendo enquetes e colhendo opiniões a respeito de alguma polêmica momentânea.

Promulgada a Constituição de 1.988, possibilitada a substituição processual sindical, um grande sindicato postulou  o adicional de insalubridade ou de periculosidade para todos os empregados - aproximadamente dois mil - de uma grande metalúrgica. 

Encerrada a audiência o juiz comenta com o advogado do sindicato: “Doutor há muitos pobres em nosso país”.

Com o que o causídico concordou, mas logo em seguida veio o arremate: “Doutor, são tantos os pobres que só enterrando em pé quando mortos para ter espaço para todos”. 

Acostumado com aquilo, o advogado apenas esboçou um sorriso, dirigindo-se ao saguão com o sindicalista que apressou-se em comentar: “Estamos ferrados, o homem não gosta de pobres.”                       

Certa vez, o mesmo magistrado abriu as audiências do dia com a sala repleta afirmando: “Todo o homem tem uma amante, não adianta ser contra ou a favor, sempre foi assim.

Em sequência, perigosamente perguntava aos homens que lá compareciam, se tinham ou não amante... O constrangimento era generalizado, pois especialmente as testemunhas sabiam do dever de dizer a verdade.

         Na época havia um casal de advogados muito respeitados pela seriedade como  agiam e pela intensa atuação na especializada.  Pois bem, lá  estava a advogada aguardando a oportunidade para sentar-se à  mesa de audiências. 

         O magistrado Limeira lança um olhar para a respeitada advogada e pergunta: “Doutora a senhora concorda que quase todos os homens casados  têm amantes?” 

         A advogada - cuja postura não comportava brincadeiras - responde: “Não tenho a menor ideia excelência, eu foco no meu trabalho”.

         O juiz, incontinenti, fixa o olhar na ata que assina, e dispara: “Doutora a senhora é casada há anos com o doutor Alfredo... sabe se ele tem, ou já teve, uma amante?”.

         Como uma metralhadora giratória ela responde: “Jamais lhe demos confiança que autorizasse esse tipo de pergunta.  O senhor deve respeito a mim e ao meu marido, e preste mais atenção no seu trabalho.

         A audiência seguiu sem que o assunto-tema fosse retomado. E, depois, foi encerrada com uma troca seca de “boa tarde”. O juiz seguiu com a sua vocação de “magistrado talk show” até a sua aposentaria, tendo protagonizado várias situações semelhantes.

 

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