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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 23 de outubro de 2020.
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O professor e o advogado



Imagens: Freepik - Montagem: Gerson Kauer

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Sala de audiências

O magistrado é um homem de meia idade, experiente na condução das audiências e, reconhecidamente, um experto em Processo do Trabalho. Este, embora singelo em normas, permite incomparável multiplicidade interpretativa.  Aliás, é comum na Justiça trabalhista afirmar-se que cada juiz possui um código pessoal.

O nosso personagem era rigoroso com as formalidades e as suas audiências eram solenes e pragmáticas. Além da magistratura dedicava-se a lecionar na faculdade.

         Em uma audiência, o magistrado pergunta se havia prova oral a produzir. O jovem advogado que defendia os interesses do empregador afirma que sim, que contava com uma testemunha. 

Quando apregoada, ingressa um dos sócios da pessoa jurídica. Imediatamente o advogado do trabalhador alerta acerca da condição e da impossibilidade legal do depoimento.  

         Confirmada a condição pelo sócio, com serenidade o magistrado passa a esclarecer ao advogado que “há inegável interesse na causa por parte dos sócios” e que “o regramento processual impede o depoimento”. Embora a consistência dos ensinamentos, o jovem advogado, inconformado, insiste no requerimento, sob o argumento de que o sócio possuía amplo conhecimento dos fatos controvertidos.

         Encerrando o infrutífero debate, o juiz registra em ata o pedido formulado, a confirmação pelo sócio da sua condição e a sua extensa fundamentação com base na legislação.

         Incansável, o aguerrido advogado manifesta o seu protesto, também seguido de uma interminável argumentação que pretendeu fosse transcrita na ata.  Em sequência, vem mais uma verdadeira aula, agora sobre a finalidade exclusivamente antipreclusiva do protesto que apenas visa a assegurar a abordagem da matéria em eventual recurso ordinário.

         Uma vez mais o indeferimento do registro posto que desnecessário.

         Encerrada a audiência, o jovem levanta-se e agradece. O juiz não perde tempo e pergunta:

- Doutor, onde foi que o senhor cursou Direito? 

         A assistência contendo o riso, testemunhou a resposta:

- Na PUC! E o senhor foi meu professor de Processo do Trabalho.

         Após uns dez segundos de silêncio, o juiz ordena à escrevente:

- Chame a próxima testemunha!


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