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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 23 de outubro de 2020.
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Mais palavras e expressões perigosas



Imagens: Freepik - Montagem: Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Seguem mais casos de palavras e expressões cujo uso requer atenção especial à forma e ao significado:

Ao invés de / Em vez de: A primeira só pode ser usada para se referir a algo de sentido oposto: Ao invés de atuar na defesa, ele atuou na acusação. Para introduzir algo de sentido apenas diferente, e não oposto, usa-se em vez de: Em vez de trabalhar, ela estuda. 

Aparte / À parte: A locução à parte tem os sentidos do advérbio separadamente: Vamos conversar à parte; e do adjetivo separado: conversas à parte. Aparte é substantivo derivado de à parte, tendo o sentido de manifestação separada: A autoridade avisou que não concederia apartes.

Aonde / Onde: A primeira implica movimento, enquanto onde se refere a algo estático. Na dúvida entre uma e outra, sugere-se a aplicação do truque que consiste na troca por para onde; se der certo, será aonde; caso contrário, use-se onde: Onde estás? (para onde estás? – não deu certo). Aonde vais? (para onde vais? – Deu certo). 

Concerto / Conserto: A primeira tem os sentidos genéricos de harmonia, ajuste, acordo, conformidade, combinação, cumplicidade; no Direito é de largo uso em acepções que giram em torno desses significados: O concerto do traslado; trabalha em concerto com seu diretor; praticou os atos em concerto com seu superior. Enquanto isso, conserto tem o sentido de remendar, reparar: O concerto do computador. 

Conteste / Inconteste: Palavras muito usadas na linguagem jurídica, mas nem sempre de forma correta. Conteste tem o sentido de uniforme; assim, testemunha conteste é aquela que confirma o depoimento de outra. Inconteste significa o contrário: testemunha inconteste é aquela que discorda do depoimento de outra. Erro cometido comumente por operadores do Direito é atribuir a inconteste o sentido de irrefutável, definitivo, incontestável. É vício que precisa ser evitado, em nome da precisão do significado, qualidade essencial em linguagem argumentativa como é a do Direito. 

 

Quando não se escreve direito...

“Se Vossa Excelência continuar a chamar meu cliente de uxoricida, só porque ele matou a esposa, eu me retiro.”

Foi a manifestação do advogado de defesa de um réu durante júri popular em Joinville, SC. Contemplando sua intenção de demonstrar o conhecimento da pouco conhecida palavra uxoricida, o causídico acabou manifestando a ideia de que matar a esposa não era algo grave. Ou terá sido estratégia de defesa?

Esclareça-se que uxoricida é o nome atribuído àquele que mata sua esposa. A palavra é formada por uxori (mulher, esposa) + cida; a palavra uxori era usada em oposição a vir (homem, marido). 


A PALAVRA DO LEITOR

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