Ir para o conteúdo principal

Porto Alegre (RS), sexta-feira, 23 de outubro de 2020.
https://espacovital.com.br/images/escreva_direito_2.jpg

Palavras e expressões perigosas (5)



Imagens: Freepik - Montagem: Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Seguem mais casos de palavras e expressões cujo uso requer atenção especial à forma e ao significado:

Difundido / Difuso: O primeiro é o particípio do verbo difundir, tendo o sentido de divulgado. Difuso não é alternativa para difundido, podendo ser usado apenas na função de adjetivo, como na expressão direitos difusos, em que tem o sentido de disseminados, fundamentais ou coletivos.

Dissimular / Simular: Quando se quer dar o sentido de ocultar ou disfarçar a verdade, mediante a utilização de astúcia, o verbo a ser usado é dissimular; em outras palavras, dissimula aquele que sabe a verdade, mas a encobre. De outra parte, quem simula, finge ser verdadeiro aquilo que ele sabe ser falso.

Diurno / Diário / Diuturno: A primeira tem sentidos variados, dependendo do assunto a que se refere; pode referir-se às 24 horas do dia, ou ao período do dia em que se conta com a presença do sol; no Direito do Trabalho, usa-se diurno em oposição a noturno. Enquanto isso, o adjetivo diário se refere ao dia, a todos os dias ou àquilo que é feito num dia. Diuturno tem o sentido de duradouro, constante, como na expressão trabalho diuturno.

 Eis que / Vez que: Apesar de seu uso estar em vias de consagração, estas expressões não devem ser usadas com o sentido de porque, visto que, já que. Na verdade, vez que ou de vez que, ou ainda uma vez que são expressões a serem evitadas; eis que é usado para introduzir algo imprevisto: Estava tudo definido, eis que surgiram novos fatos.  

Elidir / Ilidir: Com os sentidos de afastar, eliminar, anular e outros semelhantes, usa-se elidir: Mediante o pagamento da dívida, o devedor elide a falência. Ilidir tem o sentido de contestar, refutar: O advogado ilidiu todos os argumentos da acusação.

Embaixo / Em cima: Pode parecer paradoxal que a primeira seja grafada numa só palavra e na segunda as partes sejam separadas. No entanto, não há paradoxo quando se leva em conta o princípio da língua portuguesa que estabelece a grafia de acordo com a pronúncia. Em embaixo, a pronúncia é contínua, enquanto na expressão em cima ela é feita em duas palavras. É sutil, mas perceptível a ouvidos apurados.

Em face de / Face a / Face: Exemplificando com a palavra exposto, o acompanhante mais presente nessas expressões, esclareça-se que a forma preferida deve ser a tradicional e consagrada “em face do exposto”; “face ao exposto” é neologismo aceito por alguns gramáticos; por fim, “face o exposto” é forma errada. 

Quando não se escreve direito...

"Não há nada mais ecológico do que um homem separado: 27% vão para o leão, 25% para as piranhas, 33% de pensão para a jararaca e sobram 15% para o burro".

Esta frase foi retirada de um recurso de apelação interposto no foro de Sobral (CE). O autor encontrou na ecologia uma forma figurada, original e muito bem-humorada de manifestar sua inconformidade.


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser esclarecer, comentar, detalhar, solicitar correção e/ou acréscimo, etc. sobre alguma publicação feita pelo Espaço Vital, envie sua manifestação.

Mais artigos do autor

Imagem: Agência Brasil

O rebatismo “daquela Casa” em Brasília...

 

O rebatismo “daquela Casa” em Brasília...

O político Reginaldo Lopes (PT-MG) quer modificar-lhe o nome. Apresentou projeto para que ela passe a se chamar Câmara das Deputadas e dos Deputados. Justificativa do parlamentar: “As mulheres não estão tomando o lugar de nenhum homem, como o atual nome da nossa Casa Legislativa pode parecer sugerir”...