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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 23 de outubro de 2020.
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Diário de um home-office



Imagem: Freepik - Edição EV

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Com o retorno do Judiciário aos trabalhos, o jovem advogado, pai de dois filhos em idade escolar, viu ser prolatada uma decisão muito desfavorável, da qual precisava recorrer, com urgência. Para dar conta do recado, o advogado acordou às 5h da manhã, mas as coisas não saíram como o esperado.

Toca o despertador. O advogado corre para a cozinha fazer um café rapidinho. Goles sorvidos, depara-se com o filho mais velho, que - após acordar com o despertador do pai -pôs-se a jogar videogame.

O advogado começa a estudar o caso, ao som de tiros e explosões. Antes de ler o primeiro parágrafo, percebe que o filho precisa comer alguma coisa. Ele corre para a cozinha e prepara o dejejum.

6h30. Advogado tenta se concentrar. O garoto, ainda em fase de alfabetização, pede ajuda, pois o jogo é legendado. Pai ajuda. Mais um chamado. Mais tiros. Mais explosões. Mais legendas. Acorda o outro filho. Mais dejejum, mais assistências para videogame.

7h30. Esposa, saindo para o trabalho, passa instruções sobre o que os guris precisarão para aulas tele presenciais. Advogado-marido-pai não presta atenção, pois sua mente está focada no recurso.

8h. Advogado faz o login do primeiro filho na aula virtual. O menino pede o material da aula. Pai não lembra o que a mãe disse. Liga para ela. É criticado por não prestar atenção. Recebe instruções. Organiza o material. O primeiro filho está em aula.

Advogado recebe mensagem, às 8h15. É a esposa orientando sobre o material para a aula do segundo filho. Material organizado. O primeiro filho precisa de assistência para recortar umas figuras. O pai ajuda.

Já são 9h30 e nada de recurso. Pai faz o login para a aula do filho menor. Música, cantoria, contação de história, tudo lindo, mas já são 10h15. Hora de fazer login na aula de inglês.

11h30, pai vai fazer almoço. 12h20, almoço servido. 13h30, pratos recolhidos. 14h30, louças do café e do almoço lavadas. Filhos discutem sobre o próximo jogo. Pai intercede. Já são 15h30. Pai senta-se novamente ao som de tiros e explosões. Filhos querem lanche. Pai fornece, mas já não lava a louça.

16h. Toca o interfone. Vovó trouxe um bolinho. Pai desce, conversa com a vovó à distância, pega o bolinho e sobe de novo. Toca o interfone, novamente. Entrega de compras feitas online pela esposa. Pai desce e sobe de novo. Serve o bolinho para as crianças. Mais louça na pia.

17h. Agora vai! Toca o telefone. É um cliente. Advogado se tranca no quarto para atender. Atendimento é longo. Já são 17h45. Tudo bem com as crianças. Advogado esgotado, pronto para começar a redigir o primeiro parágrafo do recurso.

18h20. Esposa chega do trabalho. Ela olha o entorno e encara o esposo-causídico como que insatisfeita: “A casa está uma bagunça, as crianças ainda estão de pijama e a pia está cheia de louça para lavar. Pelo menos você conseguiu fazer o tal recurso?”


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