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Edição Extra, interrompendo, em 11.1.2020, as férias da Equipe Espaço Vital
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Palavras e expressões perigosas (6)



Imagem: tjmg.jus.br - Edição: EV

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Seguem mais casos de palavras e expressões cujo uso requer atenção especial à forma e ao significado:

      Estrema / Estreme: O verbo estremar (não confundir com extremar) tem o sentido de delimitar, demarcar, por meio de estremas, ou seja, marcos divisórios de áreas rurais. O substantivo estrema originou o adjetivo estreme, que tem os sentidos de isento, puro, genuíno. 

      Estada / Estadia: Apesar de reinar de forma quase absoluta a opção pelo uso de estadia, em regra essa forma é equivocada. Na verdade, estadia é palavra a ser usada com o sentido de permanência de um veículo de transporte em determinado ponto para carga e descarga; originariamente referia-se apenas ao tempo de permanência do navio no porto, passando depois a se estender a qualquer veículo de transporte. Com o sentido de permanência transitória de alguém numa cidade, num hotel ou numa repartição, a palavra correta é estada.

      Expender / Despender: Despender tem a mesma raiz de despesa, significando fazer despesa, gastar; já para o sentido de expor em detalhes, em minúcias, a palavra a ser usada é expender.

      Fingido / Ficto: Ressalte-se, de início, que a única forma de particípio do verbo fingir é fingido. Por sua parte, ficto tem o sentido de presumido. Não está literalmente expresso, mas por dedução, por inferência, se presume.

      Foro / Fórum: Para nomear a sede do Judiciário, as duas formas são aceitas, com predominância da segunda, que, apesar de latina, está formalmente registrada como palavra da língua portuguesa. Nos demais usos, abrangendo todas as áreas, sejam do Judiciário, das Igrejas, das entidades, da consciência (foro íntimo) ou de qualquer outra acepção, a palavra adequada é foro (de pronúncia fechada no singular e aberta no plural). 

      Hábeas / Habeas corpus / Hábeas-córpus: Sem hífen e sem os acentos, é a forma original latina (em latim não se usa acento nem hífen), devendo ser grafada entre aspas ou em itálico; com hífen e com os acentos, é a forma aportuguesada; hábeas é a forma reduzida consagrada na língua portuguesa, com registro no vocabulário oficial. Portanto, as três formas estão corretas, desde que usadas criteriosa e coerentemente, sem misturar os dois idiomas.

 

Quando não se escreve direito...

“O mês de novembro finalizará com uma missa cantada por todos os defuntos da paróquia.”

Tratava-se de aviso aos paroquianos encontrado no mural da igreja. É prova definitiva do poder de significado que o contexto atribui às palavras. Todo o estrago dessa frase foi causado pela minúscula palavra por, caso típico de polissemia contextual, pois pode significar por meio de, através de, em prol, em homenagem, entre outras acepções. Justamente por não levar em conta essa multiplicidade de sentidos, o autor da frase acabou atribuindo poder de voz aos defuntos. O exemplo mostra, mais uma vez, que escrever não pode ser ato mecânico; exige permanente atenção. 


A PALAVRA DO LEITOR

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