Ir para o conteúdo principal

Porto Alegre (RS), sexta-feira, 23 de outubro de 2020.
https://espacovital.com.br/images/sala_audiencias.jpg

A pistola do atendente



Imagem: Freepik - Montagem: EV

Imagem da Matéria

São raras as situações que exigem o contato prévio do magistrado trabalhista com a petição inicial antes do momento da audiência.  As exceções remetem a casos em que há pedido de antecipação da tutela de fundo, ou de outra medida correlata emergencial.

         Tarde quente, no saguão do prédio, o calor e o ruído de centenas de pessoas aguardando o início das audiências.

         O juiz chega à sala no exato momento previsto para o seu início da pauta e, uma a uma, as iniciais são superadas, o que foi tranquilizador para aqueles que imaginavam esperar por intermináveis horas.

         Em sequência inicia o pregão dos prosseguimentos, o que abre a possibilidade do depoimento das partes e de testemunhas.

         Iniciado o segundo prosseguimento, verifica o magistrado tratar-se de um pedido do ex-empregado, tentando a reversão da justa causa promovida pelo empregador  sob a imputação de mau comportamento ao trabalhador - um atendente de enfermagem em um grande hospital de Porto Alegre.

         Nada de fatos, mas como causa apenas a reprodução da tipificação genérica da CLT.

         Colhido o depoimento do atendente, ele afirma desconhecer o motivo da rescisão, atribuindo-a a uma perseguição da chefia. 

         Com o depoimento da preposta, emergem os fatos. É que o atendente fora surpreendido inúmeras vezes, sem que fosse esta a sua função, no interior de quartos de pacientes em uma ala do hospital a qual não estava vinculado.

         Chamou a atenção a coincidência de que todos quartos abrigavam pacientes com características específicas - mulheres jovens e bonitas.

         Afirma a preposta que uma paciente relatou que ao acordar-se após sedação, deparou-se com o empregado praticamente deitado em sua cama.  Pareceu-lhe que o homem suava e ofegava.

         Diz a preposta: “Ela no momento em que acordou não viu nada de estranho, mas ao ajeitar a coberta no corpo, deparou-se com a pistola dele, apontada para ela.

         O juiz, tentando compreender a narrativa da preposta, pede detalhes: “Minha senhora, ele trabalhava portando arma de fogo no hospital? 

- Não doutor, não era arma de fogo. É o meu jeito de me referir a uma parte do corpo masculino. Mas estava armada, isso ela percebeu...

         A demissão por justa causa foi reconhecida como adequada.


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser esclarecer, comentar, detalhar, solicitar correção e/ou acréscimo, etc. sobre alguma publicação feita pelo Espaço Vital, envie sua manifestação.

Mais artigos do autor

Edição EV - Imagem Visual Hunt

A roleta viciada

 

A roleta viciada

“A manipulação da distribuição no STF passou solta, fácil. Fosse a Justiça brasileira zelosa, o fato seria alvo de uma profunda investigação com a responsabilização daqueles que deixaram passar, por décadas, uma falha que coloca em dúvida a isenção dos meios que deveriam garantir a cidadania”.

Imagem Visual Hunt meramente ilustrativa

O juiz chamado à colação

 

O juiz chamado à colação

Na ação de separação conjugal, realiza-se a audiência de tentativa de reconciliação do casal. O juiz pondera acerca da importância da família para a formação dos filhos. Com a face vermelha e trêmula, a mulher não esconde sua inconformidade: “Este homem é um tarado”.

Imagem: Freepik - Edição EV

As divindades

 

As divindades

A fala do psiquiatra: “Aqui comparece um representante da segunda divindade em importância, a dos médicos, perante os representantes da primeira divindade, a dos juízes”.

Imagem: Freepik - Edição EV

O talk show do juiz

 

O talk show do juiz

O magistrado cumpria obstinadamente os horários previstos para as audiências pautadas. Mas gostava de adentrar em intimidades perigosas das partes e dos advogados, promovendo enquetes e até colhendo opiniões sobre adultérios.