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Porto Alegre, terça-feira, 12 de junho de 2021.
(Próxima edição: sexta-feira, 18).
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Gramado e Bento Gonçalves cuidando mal de jovens trabalhadores



Imagens: Melhores Destinos/Prefeitura Bento Gonçalves - Arte: EV

Imagem da Matéria

A Serra Gaúcha é definitivamente encantadora. É motivo de orgulho para todo povo gaúcho, pelas belezas naturais, pelos atrativos turísticos, pela gastronomia fantástica, ou ainda pela economia pujante.

Mas tem algo ocorrendo na Região Serrana Gaúcha que vem despertando inúmeros reflexos na Justiça Trabalhista.

Estamos falando dos jovens trabalhadores que trabalham muito e são mal remunerados para laborar em grandes indústrias, hotéis e restaurantes serranos que faturam muito alto, pagam pouco e expõem os obreiros à riscos.

Dois casos importantes ocorridos em Gramado (RS) tiveram julgamentos recentíssimos em prol dos trabalhadores na justiça especializada, com as decisões em segunda instância mantendo intactas as respectivas sentenças.

O primeiro deles, da jovem garçonete que teve queimaduras de segundo e terceiro graus - em decorrência de uma explosão - quando um colega fazia a reposição de álcool em um aparelho de réchaud, sem certificar-se de que estava apagado. Foi beneficiada com reparação por danos morais, no valor de R$ 20 mil reais, além de R$ 10 mil por danos estéticos e pensão mensal paga em cota única de R$ 140 mil.

O segundo caso, da jovem camareira empregada de hotel na cidade, que contraiu leptospirose no próprio estabelecimento em que trabalhava, e teve garantido o direito a ser reparada pelo dano moral sofrido, recebendo R$ 5 mil.

O terceiro caso. Em Bento Gonçalves, uma jovem empregada de conceituada indústria da cidade, teve reconhecido o direito à indenização por dano moral, no valor de R$ 8 mil reais, haja vista o arbítrio exagerado imposta à jovem pela empresa. Explica-se: a trabalhadora teve negado pela empregadora o pedido de troca de turno para cuidar do filho, um bebê de seis meses à época do ajuizamento da ação. No caso, mãe e pai da criança trabalhavam na empresa e cumpriam a mesma jornada, das 12h45 às 22h50.

Classificou a justiça trabalhista (também em primeiro e segundo grau) como “nítido o abuso de poder diretivo” da empresa, uma vez que essa conduta ocasionou claro abalo moral à trabalhadora, que se viu em situação aflitiva, em razão da impossibilidade de cuidar do filho por causa do turno de trabalho.

Qual a semelhança entre estes três casos?

São oriundos de cidades que possuem um perfil socioeconômico diferenciado e privilegiado, natural da região serrana do Estado.

São casos de jovens trabalhadores possivelmente iniciando suas vidas no concorrido mercado de trabalho. Por consequência, eventualmente se submetem a situações um tanto quanto complicadas e comprometedoras (por exigência das empresas), seja para a saúde, para a vida íntima, para a imagem ou para a honra.

Nos dois primeiros casos especialmente, pela responsabilidade (ou a irresponsabilidade) das empresas para com o cumprimento com as normas de vigilância, saúde e segurança do trabalho, o que acabou por expor a riscos os trabalhadores.

E no terceiro caso, na interferência excessiva por parte da empresa na vida íntima da empregada, mãe jovem, que de fato necessitava da alteração na jornada de trabalho.

A Serra Gaúcha é definitivamente encantadora. Contudo, precisa cuidar melhor dos seus jovens trabalhadores.

Leia na base de dados do Espaço Vital as notícias completas sobre o casos acima relatados:

 


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