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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 27 de novembro de 2020.
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Palavras e expressões perigosas (8)



Imagem blogsenacsp.com.br - Edição EV

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Seguem mais casos de palavras e expressões cujo uso requer atenção especial à forma e ao significado:

Ótico / Óptico: Seguindo-se a formação etimológica, ótico (do grego otikós) diz respeito ao ouvido, enquanto óptico (do grego optikós) se refere ao olho. Devido à dificuldade que têm os falantes da língua portuguesa, especialmente os brasileiros, de pronunciar sequência de consoantes, óptico passou a ser pronunciado ótico, resultando na unificação de pronúncia, o que com o tempo passou a ser admitido também na grafia, resultando em frequentes confusões de comunicação. Assim, em linguagem técnica, como a jurídica, recomenda-se distinguir as duas grafias: ótico quando se refere ao ouvido, à audição, e óptico quando usado em alusão ao olho, à visão. Comparando: Ouve-se com frequência “adevogado” em vez de “advogado”; a explicação para essa pronúncia equivocada é a mesma; a diferença é que o erro, felizmente, não se consagrou.

Parricida / Matricida / Patricida: Quando alguém comete parricídio, ou seja, mata o próprio pai, é chamado de parricida; quando o faz com a mãe, é matricida; no Direito Romano, havia apenas uma forma para os dois casos: parricida, pois a palavra deriva do latim parens (parentes: pai e mãe). Patricida é o nome dado àquele que trai a pátria.

Pasmo / Pasmado: São formas alternativas para o particípio passado do verbo pasmar. A forma tradicional é pasmado: Ficaram todos pasmados com a notícia do crime. No entanto, aos poucos foi surgindo a forma contraída pasmo, que acabou vencendo todas as objeções e se impôs como alternativa: Ficaram todos pasmos (pasmados) com a notícia do crime.

 

Ainda sobre a Câmara das Deputadas e dos Deputados

Transcrevo mensagem recebida do conhecido advogado Celso Tadeu Noschang a respeito do que publiquei em edição anterior sobre o uso da chamada “forma inclusiva de gênero”: “Caro Professor Ledur: Oportuníssimo seu artigo sobre a tentativa de impor o uso do feminino quando nos referimos aos dois sexos (sim, sexos) em nossas manifestações. Trata-se de ideologização, do politicamente correto. A língua repele tal iniciativa. A doutrinação e a politização são extremamente necessárias, válidas e aceitáveis quando adequada a ocasião. Não em qualquer momento ou situação. Parabéns. Celso Tadeu Noschang.” E você, leitor, o que acha desse movimento do “todos e todas” ou “todas e todos”?

 

Quando não se escreve direito...

Esta história foi originalmente contada, em sua página no Facebook, pelo jornalista e escritor Sergio Siqueira, gaúcho de Pelotas, mas residente há várias décadas em Brasília, onde publicou no site Direito Global.

Uma vez, em plena sessão do tribunal do júri, o pai do escritor – Juliné da Costa Siqueira – velha raposa das lides jurídicas, cansado com as procrastinações legais, disse que a Justiça vinha sendo exercida por uma “pandilha de sevandijas”.

O juiz ameaçou cassar-lhe a palavra. O advogado quis saber a razão da ameaça. O magistrado não soube responder.

    O Dr. Siqueira então insistiu com a tal “pandilha de sevandijas” tantas vezes quantas foram suficientes para o juiz impedi-lo de usar a palavra.

Quando se retirava do tribunal, conduzido por um amigo, os presentes e a imprensa quiseram saber se “pandilha de sevandijas” era mesmo uma ofensa ou não. O doutor Siqueira foi didático e vitoriosamente irônico:

– Acho que sim, pois quer dizer súcia de exploradores, de aproveitadores que vivem à custa alheia. Mas isso não importa. O que interessa é que o ilustre magistrado não sabia. É um ignorante. Era o que eu queria provar. Escrevam isso aí!...

Observem-se a origem e o significado das duas palavras formadoras da expressão: pandilha, do espanhol pandilla, corresponde à cumplicidade entre vários indivíduos com o objetivo de enganar alguém; sevandija, do espanhol sabandija, é nome comum atribuído a todos os vermes e parasitos, advindo daí o sentido figurado da pessoa que vive à custa alheia. Como se observa, a expressão carrega um significado extremamente pejorativo.


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser esclarecer, comentar, detalhar, solicitar correção e/ou acréscimo, etc. sobre alguma publicação feita pelo Espaço Vital, envie sua manifestação.

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