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Edição Extra, interrompendo, em 11.1.2020, as férias da Equipe Espaço Vital
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Segredos da bolsa feminina



Ilustração de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

A vítima comparece à audiência de instrução e julgamento de uma ação penal. É uma senhora com 50 anos, baixa e gordinha. A acusação é de tentativa de roubo. Como geralmente as vítimas têm medo do acusado, o magistrado pergunta a ela se prefere que o acusado permaneça fora da sala no momento do seu depoimento.

- Não, doutor. Pode trazer o cabra. Desse tipinho de gente não tenho medo. Lá em casa até meu marido, se reclamar muito, o couro come – ela responde com firmeza.  

Entra então o acusado: é um jovem, pálido e magricelo. O magistrado logo pergunta à vítima:

- Senhora Maria, como se deram os fatos?

- Eu tava voltando pra casa, a pé. Daí a pouco esse sujeito – apontando para o acusado – apareceu numa bicicleta e foi

logo dizendo: “Ei, tia, passe a bolsa pra cá”. E tomou o jeito de sacar uma arma que estava na cintura.

- E aí, a senhora deu a bolsa?

- Dei sim, doutor. E como dei! Taquei a bolsa com força na cara desse magricelo safado. Foi bicicleta prum lado e ele pro outro. Já caiu pronto no chão. Juntou gente e o danado acordou apanhando. Eu até tive pena e pedi que não batessem mais, porque o queixo dele devia estar doendo da bolsada que levou.

- Mas só com uma bolsada ele caiu e apagou?

- Sim senhor.

O defensor do acusado então pede licença e pergunta:

- Mas o que tinha dentro daquela bolsa?

A vítima pensa um pouco. Olha firme para o juiz e responde, contando nos dedos:

- Tinha um litro de mel, um ferro de passar roupa que eu tinha buscado no conserto, um perfume da Avon, batom, uma barra de sabão de coco, carteira, duas escovas de cabelo, dois kits de maquiagem, uma rapadura... Onze coisas na cara do malvado!

É nesse momento que o defensor público interrompe:

- Valha-me Cristo! Isso não é uma bolsa. É uma mercearia!

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(Sintetizado a partir de um caso real, contado pelo juiz Rosivaldo Toscano Júnior)


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