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Edição Extra, interrompendo, em 11.1.2020, as férias da Equipe Espaço Vital
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O linguarudo sem sorte



Ilustração de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

O cidadão está com dor de garganta crônica em meio ao clima hibernal. Valendo-se, então, de seu plano de saúde, procura atendimento por especialista, em notória clínica. Os procedimentos iniciais são os de rotina. No recôndito do consultório, o médico logo determina:

 

- Abra a boca e espiche a língua.

 

O paciente acede e o médico elogia monossilábico:

 

- Hummmm!...

 

Em seguida, nova orientação do laringologista:

 

- Deite-se na maca para melhor avaliação!

 

O consulente atende.

 

- Novamente abra a boca e de novo espiche a língua – continua o médico.

 

Imediatamente ocorre o inusitado. Relata a petição inicial que “o médico, então, toca no órgão viril do ora autor, a quem pede licença para que pudesse alisá-lo”.

 

O paciente salta da maca e se põe porta afora. Mas – estranho – volta, nas semanas seguintes, mais duas vezes à mesma clínica, para novas consultas e repetições de exames. Nessa terceira ida leva uma câmera oculta que grava um ato masturbatório. As cenas, porém - ainda segundo a petição inicial - ficam irreprodutíveis, em face de “um defeito técnico ocorrido quando na tentativa de transferir as imagens gravadas para um CDRom que serviria de prova”.

 

A ação judicial por dano moral pede R$ 500 mil, mas termina em decisão de improcedência, concluindo que, “pela doutrina da responsabilidade extracontratual, teria o autor que comprovar o agir culposo ou doloso do médico - o que não há nos autos”.

 

Em sede de apelação, os desembargadores afinam com a conclusão da sentença: “Há impossibilidade de acolher a pretensão indenizatória amparada na alegação de ter o autor sido vítima de abuso sexual pelo médico, quando a própria narrativa do paciente dá a entender o seu consentimento quanto à ocorrência da libidinagem alegadamente havida”.

 

Já há trânsito em julgado. Na comarca a chacota agora também alcança o cliente. A ação foi para o arquivo. Mas o processo deixou um codinome: “O linguarudo sem sorte”.


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