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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 27 de novembro de 2020.
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Quando não se escreve direito…



Imagem: Freepik - Arte EV

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Seguem mais casos de palavras e expressões cujo uso requer atenção especial à forma e ao significado:

Relegar: O sentido tradicional de relegar é o de baixar algo para plano secundário, para posição inferior: Parece ter relegado a verdade para instâncias inferiores. Na linguagem jurídica, observa-se com frequência o emprego da palavra com os sentidos de adiar, transferir ou diferir, quando o correto é optar por um desses verbos: Adiou-se (ou transferiu-se, ou diferiu-se) – e não relegou-se – para a sentença o exame das preliminares.

Remição / Remissão: Derivado do verbo remir (particípio: remido), remição tem o sentido de resgate, de pagamento: Remição da pena. Remissão é forma de dupla origem: a) do verbo remitir, com o sentido de perdão sem pagamento, de anistia: remissão das dívidas fiscais; b) do verbo remeter, com o sentido de transferir, de reenviar: a remissão para outra lei.

Remitido / Remisso: O particípio passado do verbo remitir (não confundir com remetido, do verbo remeter) é remitido, tendo o sentido de perdoado: O credor, tendo remitido a dívida, deu quitação ao título. Remisso, muito em voga em alguns meios, não é aceito como particípio, mas apenas como forma adjetiva, com o sentido de relapso, negligente: Trata-se de devedor remisso.

Retorção / Retorsão: Derivada de retorcer, retorção tem o sentido de nova torção, sendo de raro uso. Retorsão deriva do verbo retorquir e tem o sentido de objeção, de réplica. No Direito Internacional, por exemplo, usa-se retorsão para referir a medida de um Estado em resposta à de outro Estado.  

Senão / Se não: Com a grafia que separa as partes – se não –, trata-se do advérbio que tem o sentido de caso não. Com todas as demais acepções, a grafia será senão, juntando as partes. Daí o truque: tente trocar por caso não; se der certo, grafe se não; caso contrário, será senão

 

Quando não se escreve direito...

 

Inseticida no rol de testemunhas

Segue o teor de uma original, mas estranha, petição reclamando o indeferimento da oitiva de testemunhas. É originário da comarca de Criciúma (SC):

“Discordam do entendimento que cinge importante decisão recorrida em simples decisão interlocutória quando é sabido que a decisão desapontou a lei acenando a antecipação da sentença, no momento em que sucintamente em desrespeito aos atos processuais programáticos põe um pá de inseticida no rol das testemunhas oferecidas nos rigores da lei ao juízo da causa”.

Para entender, faz-se necessário recorrer a um processo de adivinhação, sem contar o festival de irregularidades gramaticais, como falta de vírgulas, repetição desnecessária de palavras – para que existem os pronomes? –, isso sem contar uma dúvida que não quer calar: quanto de inseticida conterá um pá? Sabe-se que a quantidade de uma pá depende do tamanho e da forma dela.

Desafio para os leitores: reescrever a frase dessa petição em linguagem correta, compreensível e descomplicada. Prometo reproduzir aqui.


A PALAVRA DO LEITOR

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