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Porto Alegre, terã-feira, 20 de abril de 2021.
(Próxima edição: sexta-feira, 23).
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´Hackeando´ o tribunal...



Imagem: Freepik - Arte EV

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O âncora do Jornal da Advocacia cumprimenta e informa:

- Bom dia, telespectador! Nossa produção conseguiu contatar o hacker que invadiu o saite do TJRS e ele nos dará uma entrevista exclusiva, por telefone! 

- Alô... - a voz desanimada do hacker contrasta com a do apresentador. 

- Bom dia, Senhor Hacker! Aqui é o âncora do Jornal da Advocacia! 

- Ahã - responde, insipidamente, o entrevistado. 

- Pois bem, por uma questão de inclusão, o senhor poderia descrever a foto que postou na capa do portal do TJRS, para parte da nossa audiência, portadora de deficiência visual? 

- Bom, mano, a foto é eu com as mão pra frente, tá ligado, mostrando os dedo do meio. Ah, com um boné preto, da hora, tapando a minha cara - descreve o entrevistado, com um carregado sotaque que parece ser da periferia. 

- Muito bom! - prossegue o apresentador televisivo, com a sua costumeira animação. Nós, do Jornal da Advocacia, vemos muita arte no seu trabalho. O que você pretendia expressar com esse ato tão ousado de rebeldia? 

- Ah, nada, mano. Acho que só me autoafirmá e, talvez, chamar a atenção dos meus pais. Ah, e enchê o saco da sociedade. 

A expressão facial do âncora se fecha por um breve momento, antes de se abrir, ainda mais radiante. Ele dá, então, prosseguimento à conversa. 

- Pois veja como está certo quem diz que a beleza está nos olhos de quem vê e no coração de quem sente. Para nossa audiência, composta quase que inteiramente de advogados, o seu trabalho é uma crítica ao Judiciário! 

Ante o silêncio do entrevistado, o âncora prossegue: 

- Por exemplo, os advogados abrem o saite do tribunal e o que eles veem? A imagem de alguém escondendo o rosto e lhe insultando, mostrando o dedo do meio. 

O âncora toma fôlego e continua o discurso: 

- Isso não é uma crítica a alguns juízes que se negam a receber os advogados em seus gabinetes, quando a lei assim os obriga? Ou a outros que instem em fixar honorários aviltantes para os advogados, abaixo dos patamares mínimos estabelecidos em lei, ao mesmo tempo em que defendem que sua categoria receba os famosos penduricalhos? 

A voz do apresentador começa a ficar embargada, mas ele tem ainda mais a dizer: 

- Não é uma metáfora sobre o tratamento dispensado por todos os sujeitos processuais àquela menina, Mariana Ferrer, suposta vítima de estupro? 

Após um silêncio prolongado, a audiência ouve um “tu-tu-tu-tu”. O hacker entrevistado desliga o telefone. O apresentador precisa encerrar de alguma forma o programa, e arremata: 

- Então, telespectador, ao contrário do que pensávamos, a invasão do saite do TJ foi apenas o trabalho intenso, sem nenhum propósito, de alguém que não tinha nada melhor para fazer. Um simples ato vazio que revela um desespero por atenção. Eu vejo arte nisso. E você?...


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