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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 27 de novembro de 2020.
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Palavras e expressões perigosas (final)



Imagem: Freepik - Arte EV

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Seguem mais casos de palavras e expressões cujo uso requer atenção especial à forma e ao significado:

Sob / Sobre: É cada vez mais comum o uso equivocado destas preposições, que introduzem significados opostos. Enquanto sob se refere a posição inferior, embaixo, sobre expressa o sentido de posição superior, em cima; por extensão, sobre também é usado com os sentidos de a respeito de e de além de. Exemplos de uso de sob: O réu estava sob a proteção da polícia; sob juramento, sob tortura, sob pena. Exemplos de uso de sobre: Tinha tudo sobre a mesa; carrega imensas responsabilidades sobre os ombros; sobre (além de) violento, era prepotente.

Tachar / Taxar: O primeiro deriva do substantivo tacha, que tanto pode ter o sentido de mancha, defeito, que se fixa em alguém, quanto referir aquele pequeno utensílio usado para fixar um papel no mural, conhecido também como percevejo: As tachas prendiam as folhas no mural; o chefe foi tachado de ladrão. Enquanto isso, taxar deriva de taxa, valor que se cobra em troca de um serviço, derivando daí para significados próximos, como pôr preço, julgar, avaliar, qualificar. Exemplos: Taxar a importação de produtos; cada fiador pode taxar a parte da dívida que lhe corresponde; taxas bancárias.

Tampouco / Tão pouco: Com o sentido de nem sequer, de também não, a forma é tampouco, enquanto tão pouco significa de tal forma pouco, pouco assim. Exemplos: O réu não compareceu, tampouco as testemunhas; compareceu tão poucas vezes que foi reprovado por excesso de faltas.

Todo / Todo o: A presença, ou não, do artigo “o” produz importante variação de significado. Sem ele, o sentido de todo é qualquer, cada; contando com o artigo, a expressão assume o significado de inteiro, completo. Assim, na expressão todo homem, faz-se referência a qualquer homem, ao gênero humano; incluindo o artigo – todo o homem –, a expressão faz referência ao homem inteiro, completo, dos pés à cabeça. Outros exemplos: a toda hora (a qualquer hora); todo mundo (qualquer pessoa); todo o mundo (o mundo inteiro – os cinco continentes); todo processo (qualquer processo); todo o processo (o processo inteiro). Importante: no plural, usa-se o artigo em qualquer das duas situações: todos os homens; todos os processos; todas as horas.

Vista / Vistas: Pede(m)-se ou concede(m)-se vista ou vistas? Considerando que se leva em conta a utilização, em regra, de duas vistas (olhos), não seria nenhum absurdo solicitar ou conceder vistas; no entanto, também se pode argumentar que se está a usar a visão como conjunto, o que levaria ao uso de vista, no singular. Para desempatar, entra em cena fator essencial na formação das línguas: o uso; é ele que acaba estabelecendo as regras. E o uso no meio culto quis que se consagrasse a forma singular; portanto: pede-se ou concede-se vista.

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