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Edição Extra, interrompendo, em 11.1.2020, as férias da Equipe Espaço Vital

Como transformar um cenário de tensão num ambiente humanizado



Edição EV - Imagem Visual Hunt

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(Texto produzido pela Assessoria de Comunicação Social do TJRS - publicado no portal da Corte, em 16 de março de 2020)

"Pessoas cansadas, com fome e dentro de um lugar onde encontrarão seu 'opositor'. Esse não parece o melhor cenário para se buscar a solução de um conflito por si. Resolvi acolher essas pessoas e proporcionar um momento de espera que elas, muitas vezes, sequer têm na sua própria casa, ainda que por alguns minutos".

Foi assim, se colocando no lugar do outro e observando as partes que comparecem às audiências do Juizado Especial Cível (JEC) da Comarca de Alegrete, que a juíza Marcela Pereira da Silva teve a ideia de humanizar a passagem, por ali, dessas pessoas.

Atuando no JEC desde janeiro deste ano, a magistrada conta que começou a acompanhar os trabalhos da unidade, antigamente conhecida por Juizados de Pequenas Causas. Ela estudou o ambiente e avaliou como conciliadores e juízas leigas conduziam as solenidades.

"Muitas coisas me incomodaram quando me coloquei no lugar de quem era intimado para vir a uma de nossas audiências de tentativa de conciliação. Pessoas espalhadas, sem ter o que fazer enquanto esperavam, falando alto, olhando celular, agitadas, e principalmente cansadas," afirma.

Como as sessões são noturnas, a juíza buscou um meio de proporcionar calma e conforto para os presentes, geralmente exaustos após um dia de trabalho. A ideia era prepará-los para resolver seus conflitos por si mesmos e voltar para casa em paz. "Disso surgiu a ideia de reformular o ambiente e mudar o atendimento nas audiências, visando a construir uma Cultura de Paz. O projeto foi lançado no último dia 10 de março.

Com a parceria do Ministério Público e dos próprios servidores, ela conseguiu TV, livros e plantas para dar vida ao ambiente. "Pedi aos servidores que quisessem contribuir com a campanha que produzissem mensagens edificantes numa folha e eu mesma produzi molduras coloridas", explica. "Disponibilizei um livro de registro de check-out que fica no corredor de saída, para que as pessoas que conciliam deixem por escrito como se sentem depois de terem conciliado", revela.

"Oferecemos chá, suco e bolachas para as pessoas, com meu patrocínio. Um de nossos servidores, que adora cultivar plantas, ainda teve a ideia de plantar várias mudas de suculentas num copinho e deixar à disposição das pessoas. E na inauguração da sala de espera aproveitei para colocar uma etiqueta com a mensagem: 'Cultive a PAZ!', como simbologia", acrescenta a titular da 1ª Vara Judicial de Alegrete.

"Busquei decorar o ambiente de modo simples e colorido, para que as pessoas se sintam pertencendo ao local, porque afinal a grande maioria dos jurisdicionados é de pessoas simples que apenas precisam de um ambiente acolhedor para ficarem à vontade."

Tanta delicadeza e gentileza, diz, pega as pessoas de surpresa e acaba, de certa forma, "desarmando" conflitos. "O ambiente do Poder Judiciário é tenso. As pessoas entram no Fórum e chegam às audiências com a respiração ofegante. Vem com ânimo de 'guerra'. Um ambiente que proporciona às pessoas alguns momentos positivos certamente reflete no estado de espírito delas."

E o que nós podemos fazer pela paz? "Acredito que o melhor começo é fortalecer a empatia em cada um de nós", responde a magistrada, sem hesitar.


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