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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 27 de novembro de 2020.

O vírus que atacava os juízes



Fotos: Internet/Freepik - Montagem: Gerson Kauer

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Por Roberto Siegmann, publicado pelo Espaço Vital em 03.07.2020

Esquecer daquilo que nos faz mal e lembrar do melhor da vida é uma vantagem e tanto. Nosso HD não resistiria se armazenasse frustrações, decepções, injustiças e tragédias.

Poucas Juntas, um tribunal enxuto e várias audiências por dia, era a realidade daquela comunidade de advogados trabalhistas, juízes e servidores. Nos corredores sabia-se de tudo, os acontecimentos das audiências, o havido e o não havido.

Conheci uma advogada - mulher forte, austera e inteligente - que tinha a vida de lutas marcada no olhar. Ela caminhava com rapidez pelos corredores e escadarias, sempre com as pastas das audiências junto ao corpo, como se abraçasse aos trabalhadores que defendia com obstinação.

Aos poucos, para quem a conheceu, a desafiadora figura foi cedendo espaço à guerreira. Lutadora incansável pelo respeito às prerrogativas da advocacia.

Estava presente na manifestação contra os elevadores exclusivos para magistrados, nas reações à violação a algum advogado, solidária às reivindicações dos servidores e, principalmente, na preservação do Direito do Trabalho.

Na saída de uma audiência, ela para e me confidencia: “Dirigi-me à juíza como doutora e excelência e ela a mim como Élida. Não tive dúvida, retribui chamando-a de vizinha”.

A doutora Élida Costa possuía um refinado humor, eram marcantes as suas afirmações e respostas satirizando situações.

Cansada com a “juizite” de alguns magistrados, a nossa querida Élida abordou publicamente o presidente do TRT-4: “O senhor tem que tomar uma providência urgente, substituindo as cadeiras dos juízes da 4ª Região por outras novas”.

Sem entender, o presidente indaga do porquê, recebendo a resposta: “Há um terrível vírus nas cadeiras utilizadas pelos juízes. Tal vírus ingressa no corpo humano pela parte menos nobre, instalando-se na mais nobre, o cérebro, alterando radicalmente aqueles que pensávamos conhecer”.

A Dra. Élida fez parte de uma época, de um perfil de advogados e de advogadas intransigentes nos princípios, e exuberantes em humanidade.

Tive a felicidade e a honra de participar da sua indicação para uma destacada homenagem do TRT-4. Esta, juntamente à Comenda Oswaldo Vergara - com que a OAB-RS a homenageou - e aquela recebida do TST, revelam o respeito, a admiração e o carinho que nos provocou.

Que ela viva durante muito tempo na nossa memória.


A PALAVRA DO LEITOR

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