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Porto Alegre, sexta-feira, 16 de abril de 2021.
(Próxima edição: terça-feira, 20).
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O devedor passou desta vida terrena, talvez para uma melhor...



Imagens: Freepik - Arte Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Na cidade de médio porte, o gerente bancário ali estabelecido há um mês chega à morada para onde recém se mudara e recebe, da empregada doméstica, um recado incomodativo.

- Veio aqui um homem, disse que era do fórum, deixou estes papéis e mandou eu assinar uma tal de contrafé...

Era uma citação com hora certa em executivo fiscal. Preocupado, o bancário procura um advogado que o tranquiliza e promete liquidar a questão com uma só petição.

No dia seguinte aporta ao foro uma objetiva petição - em autos físicos - com um título destacado, letras grandes em vermelho (“Petição de falecimento”), três argumentos e um arremate:

1. "O réu mudou-se dessa casa há alguns anos. Também, não pode apresentar os embargos à execução, porque, segundo consta, estaria morto e soterrado sob a frialdade inorgânica da terra, em algum cemitério, alhures”.

2. “O executado era um homem idoso e enfermiço. Se fosse vivo, talvez não pudesse pagar esse débito à argentária Fazenda Municipal. Hoje, a alma dele viaja além do arco-íris, essa fantástica fantasia de cores primárias que se aperfeiçoam à luz de um sol nascente e novo, ou sob a vermelhidão da tarde, depois da vazão das chuvas”.

3. “Consumado o falecimento, a robustecida alma do pobre homem, ora se regala e se banha na estanhada lisura das águas tépidas do luzente lago, onde o cisne do espírito se nutre naquilo que, comumente, chamamos de eternidade”.

E, em seguida, o arremate:

“O devedor passou desta vida terrena, talvez para uma melhor. Por essa razão, devolve-se, em anexo, a inusitada citação por hora certa, que o aqui peticionário recebeu em sua residência. Aproveita-se para alertar o bem remunerado magistrado - e especialmente seus multipoderosos estagiários - que, objetivamente, nem o devedor, nem sua alma residem no endereço em que foi deixada a papelada judicial”.

O juiz recebe o petitório, comenta com o escrivão sobre a criatividade do conteúdo da peça, mas despacha de forma econômica: "Diga o exequente".

Alguns dias depois, o Município peticiona para que "o feito seja suspenso por 60 dias, sem baixa, para diligências a fim de tentar localizar o espólio".

Chega o coronavírus, expande-se a Covid-19.

Passados oito meses de pandemia, o processo se encontra até hoje, passados oito meses de pandemia, enfiado na taciturna e mofada pilha nº 29.

Os ácaros enviam lembranças.


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