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Edição Extra, interrompendo, em 11.1.2020, as férias da Equipe Espaço Vital
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Para que serve a pontuação (1)



Imagem: Freepik - Arte EV

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A partir desta edição, Escreva Direito vai abordar a envolvente questão da pontuação. É difícil pontuar? Sim, porque envolve o domínio completo da estrutura frasal, da forma de conexão entre elementos e partes do texto e, sobretudo, do exato significado que se pretende dar à frase. 

Todas as normas de pontuação são decorrência dessas questões, não sendo aplicáveis pela simples memorização. Conheci diversas pessoas, em especial candidatos de concursos, que conheciam de cor todas as regras de pontuação, mas não sabiam pontuar. Mais do que em outras partes da gramática de qualquer língua, a decoreba, grande mal do nosso ensino, para nada serve. Isso faz lembrar Confúcio, que dizia ser inútil estudar sem pensar. Em outras palavras, de nada adianta memorizar as regras de pontuação se a atenção não estiver inteiramente voltada ao domínio da frase. Portanto, eis a questão: é preciso pensar.

Na linguagem jurídica, a pontuação é recurso valioso para estabelecer contundência no argumento, pois as propositais pausas e oscilações de voz marcadas pela vírgula, pelo ponto de exclamação, pelas interrogações e pelas reticências poderão atribuir convincente veemência ao discurso das partes. 

Também na estética literária, a pontuação é relevante como elemento que marca o ritmo, a musicalidade do texto. A pontuação foi tão importante para o Prêmio Nobel José Saramago, que ele criou um sistema próprio de pontuar. Na poesia, de modo especial, a pontuação pode ser recurso vital. Atrevo-me a dizer que a pontuação do texto corresponde à partitura da música, pois ela estabelece o tom, o ritmo e a sonoridade do texto literário.

1. Os pontos de encerramento de frase. Comecemos pelos sinais que marcam o fim das frases. São eles o ponto-final, o ponto de exclamação, o ponto de interrogação e as reticências. Qualquer frase tem seu encerramento marcado por um desses sinais, que servem de aviso para o leitor: a frase acabou. Entre todos os sinais, estes me parecem ser os de mais fácil uso. Vejamos:

    - Ponto de exclamação: é usado para dizer ao leitor que ele deve exclamar, bradar ou manifestar qualquer sentimento, que pode ser de espanto, tristeza, alegria, dor, ironia, estranheza, raiva, entre outros. Não havendo a presença de algum sentimento, é certo que não cabe ponto de exclamação. Aliás, a banalização de seu uso acaba com a qualidade de qualquer texto.

    - Ponto de interrogação: é muito fácil identificar se uma frase é ou não interrogativa; assim, seu emprego é igualmente fácil.

- Reticências: são usadas para indicar suspensão, interrupção do pensamento, não importando a razão. Claro, é preciso considerar que o leitor entenderá. Exemplo: Quer passar no concurso? Então, estuda ou...

    - Ponto-final: na prática, o uso deste sinal se dá por eliminação; não sendo caso de reticências, nem de exclamação ou interrogação, só nos resta o ponto-final para marcar o encerramento da frase.

    O auxílio da fonologia: há um recurso valioso para entender a diferença entre os sinais que marcam o tipo de encerramento dado à frase; consiste na observação da leitura oral. Observe-se o processo de leitura dos pontos de exclamação e de interrogação: ocorre acentuada elevação no tom de voz no início e nova, mas menos incisiva, no final. Vejamos se não é isso que ocorre: Quando aconteceu isso? Quanta bobagem nesse discurso! Aliás, não é por nada que o espanhol adotou colocar o sinal, tanto de exclamação quanto de interrogação, no início e outro no final. Nas reticências, a elevação no tom de voz se dá só no final: Ou você estuda, ou... Já no ponto-final, a frase morre, ou seja, há queda no tom de voz. Recomendo que o leitor teste isso. Além de útil, é curioso.   


A PALAVRA DO LEITOR

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