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Porto Alegre, terça-feira, 3 de agosto de 2021.
(Próxima edição: sexta-feira, 6).
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O clube mais antipático e arrogante do Brasil...agora também nos tribunais



Reprodução / Globo Esporte / Blog do Mário Alberto

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A tragédia no Ninho do Urubu, sede do Flamengo, no Rio de Janeiro, no dia 8 de fevereiro de 2019, vitimou 10 jovens atletas do clube. De acordo com as investigações, um curto circuito teria dado causa ao incêndio ocorrido no alojamento dos atletas. As investigações também concluíram que o Flamengo tinha ciência acerca da existência de problemas elétricos no local.

Os desdobramentos jurídicos do caso ainda repercutem nos tribunais. Alguns familiares das vítimas firmaram acordos com o clube. Outros continuam com as demandas indenizatórias tramitando na Justiça carioca.

Desde o início e logo após o acontecimento do fato, a postura do Flamengo e de seus representantes foi de relativizar a tragédia, impondo inúmeras dificuldades para proceder nos auxílios e pagamentos das respectivas indenizações em prol dos familiares dos meninos mortos.

O ano de 2019 foi cheio para o Flamengo. No futebol e dentro das quatro linhas, inúmeras e caríssimas foram as contratações, visando reforçar o time. Com o dinheiro investido, os resultados vieram. Títulos do Campeonato Brasileiro e da Libertadores rechearam ainda mais os cofres rubro-negros.

E 2020 iniciou com o Flamengo acreditando piamente estar em outro patamar, em todos os aspectos; literalmente o clube subiu no salto alto. Peitou a Federação Carioca de Futebol. Peitou a Globo (detentora dos direitos de transmissão do campeonato carioca). Ousou peitar o Governo Federal, fazendo lobby para aprovação de medida provisória para alteração dos direitos de transmissão dos jogos. Peitou a CBF. Peitou todos os demais clubes brasileiros.

Enfim, o Flamengo conseguiu se tornar o clube mais antipático e arrogante do Brasil. "Nós somos o maior clube do Brasil. Estamos em outro patamar. Tudo pra nós, nada pra eles" - repetiram seus dirigentes.

E agora, todo o poder e arrogância flamenguista chegou aos tribunais.

Na última quarta-feira (2), o clube obteve vitória em recurso apresentado junto à 13ª Câmara Cível do TJ do Rio de Janeiro, de modo a suspender a pensão mensal ínfima de R$ 10 mil que vinha sendo paga aos familiares dos jovens mortos.

E o mais estranho, engraçado e surpreendente de tudo, é que o fundamento para vitória recursal do Flamengo tem como base a alegação de que a Defensoria Pública Estadual e o MP Estadual não teriam legitimidade para defender os familiares das vítimas.

Se a DPE não tem legitimidade para representar os familiares na Justiça, então quem teria? Seriam os nobres julgadores torcedores flamenguistas? O Flamengo tem tanto poder assim, capaz de influir até mesmo em decisões judiciais no segundo grau de jurisdição?

No campo, os ventos começaram a soprar em desfavor do clube carioca. As eliminações da Copa do Brasil e da Libertadores são consequências e respostas irônicas e imediatas para a soberba que entranhou no clube como um todo.

Esperamos então que os julgadores - flamenguistas ou não - dispam-se do sentimento que arraigou no clube rubro-negro, e decidam de forma  justa, honrando a memória dos jovens atletas que se foram prematuramente.


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