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Porto Alegre,sexta-feira, 5 de março de 2021.
(Próxima edição: terça-feira, 9).

“Propósito de contribuir para a vida plena das pessoas”... (?)



Fotos: Reuters/ Eduardo Knapp/Folhapress

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Pouco mais de dois anos depois do trágico acidente de 11 de fevereiro de 2019, terminaram na semana passada, sem acordo, as negociações extrajudiciais dos Laboratórios Libbs com o espólio do jornalista Ricardo Boechat, que fora contratado para uma palestra motivacional em Campinas. Contratualmente, o transporte de Boechat era responsabilidade do Libbs, que disponibilizou um helicóptero  de propriedade de RQ Serviços Aéreos Especializados Ltda., especializada em aerofotogrametria, mas sem autorização para transporte de passageiros.

Seus cotistas: o piloto Ronaldo Quattrucci (56 de idade) que morreu no acidente, e seu filho Rodrigo Quattrucci (25).

O Libbs é o oitavo maior laboratório do mercado. Seu slogan: “Empresa inspirada pela vida”. Em seu sítio na internet, o Libbs refere ser “uma indústria farmacêutica que tem o propósito de contribuir para que as pessoas alcancem uma vida plena”.

Seus números: 62 anos de existência; 13ª posição entre os laboratórios mais prescritos pelos médicos; 8º lugar em valor no mercado farmacêutico de varejo; 83.8% de seus produtos presentes em 60.300 farmácias no país; 2.900 empregados; produção anual de 50 milhões de unidades de medicamentos.

Riscos inaceitáveis

Segundo o Centro Nacional de Prevenção e Investigação de Acidentes Aéreos (Cenipa) a queda do helicóptero foi provocada por:

a)  Falta de manutenção;

b) "Inobservância, pelo piloto, de procedimentos importantes para a decisão de realizar um voo com segurança";

c) “Cultura organizacional da empresa, com práticas que geravam riscos inaceitáveis para a atividade".

O relatório aponta que o compressor da aeronave foi trocado pela última vez em 1988 e que várias peças estavam vencidas. A conclusão reconhece que “o tubo de distribuição de óleo estava entupido e a troca que deveria ser feita todos os anos, chegou a ficar três anos sem ser feita”.

Nas contas da rádio-corredor da OAB de São Paulo, até a sentença de primeiro grau a demora poderá ser de mais de um ano. Com recursos & tartarugas, o trânsito em julgado pode demorar cinco anos.

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