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Porto Alegre, terã-feira, 20 de abril de 2021.
(Próxima edição: sexta-feira, 23).
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O tempo, o vento e a vacina



Foto Downtown Filmes - Divulgação

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PONTO UM:

Sei que já está chato falar na crise sanitária, nas medidas de isolamento ou de distanciamento, da máscara, do álcool gel, dos leitos escassos, da falta de profissionais especializados na área da medicina intensivista e por aí vai. Mas, mais chato é contar os mortos que esta crise sanitária nos deixou e continua deixando.

Aliás, chato não é a palavra correta: desastroso, trágico, monstruoso. Uma mácula na nossa história recente que não será facilmente apagada. A história vai lembrar e vai contar.

E o que é pior: a falta de uma política nacional que trabalhe lado a lado com os gestores locais. A impressão que se tem é que o Brasil é uma frota com seus navios à deriva, indo desordenadamente para um ou para outro lado, sem um rumo certo ou firme. Sem a indispensável soma de esforços num mesmo sentido: vencer a guerra da Covid-19.

O Brasil está começando a ocupar mais uma vez as primeiras posições em rankings mundiais negativos, sendo levado pelos ventos da incompetência e da falta do diálogo entre as diversas esferas da federação. Aqui mesmo, no Rio Grande do Sul, o governo estadual de tanta pressão sofrida se viu obrigado a adotar a cogestão – seja lá o que isso significa... – porque os municípios eram os primeiros a reclamar por serem incluídos em uma região com bandeira mais restritiva.

Não deu outra: todo o Estado entrou na bandeira preta e já se vê alguns movimentos, a exemplo dos municípios do litoral norte, tomando medidas mais duras como fechar os supermercados e as farmácias nos fins-de-semana. E o tempo está passando. A crise, lá em março de 2020 - que tinha uma previsão para superação prevista para os meses de setembro do ano passado - só fez recrudescer.

Estamos no olho do furacão. À espera de um vento milagroso que venha varrer nosso território: o vento da vacina. A vacina em massa, não apenas para grupos de risco (que a rigor já nem se sabe mais quais são, tamanha a elasticidade dada!). Deveríamos ter como meta chegar o mais perto possível dos índices apontados por Israel, que está às vésperas de fechar o surpreendente índice de 100% de vacinação: isto é, toda a população!

Estamos numa guerra e para vencer esta guerra precisamos de tempo e de bons ventos.

PONTO DOIS: 

Lembrei-me da trilogia de Érico Veríssimo: O Tempo e o Vento! Um clássico da literatura gaúcha, obra obrigatória para os leitores da língua portuguesa, especialmente para os gaúchos. Ao lado de personagens icônicos, como Ana Terra, Capitão Rodrigo Cambará, Bibiana, dois personagens intermitentes fazem parte da história contada sobre nossa gente: o tempo e o vento.

Tudo começa em 1745 indo até os anos quarenta, Século XX. Duzentos anos de história, história permeada por guerras (Guerra do Paraguai, guerra entre os colonos e os índios, guerra entre as famílias Terra e Amaral, guerra entre os maragatos e os chimangos) e varrida pelo vento, vento frio, vento minuano.

O tempo e o vento passam a ser personagens da história, tão importantes quanto seus heróis e seus carrascos. Também precisamos de tempo, mas tempo contado por outra dimensão. Tempo em semanas, dias, horas por vezes já não basta. Ou a guerra da Covid-19 estará perdida. O efeito dominó da transmissão do vírus já se faz sentir com o crescimento geométrico da doença.

De abril a março, o Rio Grande do Sul logrou aumentar em 65% o número de leitos hospitalares, mas o número de pacientes cresceu em 183%. Só o vento da vacina pode mudar este quadro catastrófico. Vacina em massa, vacina para todos. Mas para tanto é preciso de governança séria e competente. Da União às Prefeituras. É aí, caros leitores, que mora o perigo.

O Brasil está em guerra, mas contra mais de um inimigo: não é só o coronavírus, mas também alguns governantes que preferem politizar a crise, certamente com olhos em 2022, quando o enfrentamento é e deve ser técnico e científico. Que venham novos ventos, mas que sejam ventos que tragam a vacina, principal arma para vencer pelo menos a Covid-19.


A PALAVRA DO LEITOR

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