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Porto Alegre, terã-feira, 20 de abril de 2021.
(Próxima edição: sexta-feira, 23).
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Os dois negacionistas do futebol que vivem de recordações



Lucas Uebel - Grêmio FBPA/Divulgação

Imagem da Matéria

Pretendia fazer um Jus Azul sarcástico. Falar sobre o Gauchão. Porque foi o único título que o Grêmio ganhou na última temporada. E não dizer uma linha sobre a patacoada das finais contra o Palmeiras (e contra o Santos também).

O clube gastou uma fortuna com contrações inúteis, outra fortuna em salários, não treinou (nem em Atibaia), fez muitos rachões, consultou “as lideranças” (o que seria isso?), tomou 14 gols de Santos, Flamengo e Palmeiras e fez apenas três, mas está “tudo bem”... Entrementes, o  treinador - que já é uma entidade, um espirito do tempo - renovou. Com aumento salarial...

Segundo o presidente Romildo, textualmente, o “projeto da renovação implica, em primeiro lugar, três situações: manutenção da nossa estabilidade econômica (no que Renato entra nisso?), formação de jogadores (do que adianta formar, se Renato quer que tenham 23 anos para pôr no time) e, principalmente, a condição de competitividade (como assim, presidente? Sem preparo físico, fazendo rachões, poupando jogadores e perdendo campeonatos e copas a rodo? E desprezando o campeonato brasileiro? Isso é “condição de competividade”?).

Nenhuma das três hipóteses é crível, presidente!

Na verdade, ironicamente, pretendia falar dos 4x1 no Brasil de Pelotas. Gol belo gol de Ferreirinha. Que, de novo, foi posto no banco. Como Renato pode receber mais de um milhão para colocar em campo um jogador ludo-néscio como Thaciano (aliás, sugerido por Ilgo Wink em seu blog – Renato lê o Ilgo, sempre! Cumprimentos aos dois!), um incompetente como Alisson, um zagueiro-chama-gol como Paulo Miranda, um lateral meia-boca como Diego Barbosa, um goleiro mão-de-alface como Paulo Victor e um ex-jogador-atual chamado Pepê, que entra vendido nas partidas (stricto sensu)? Sem contar que Jean Pyerre está de férias há tempos. E Maicon...que terminou seu ciclo no Grêmio. Tem de ser avisado. Ah, ele é uma das lideranças... Pois é.

Já escrevi aqui que o Grêmio é como o filme italiano Stanno Tutti Bene (1990), com Marcelo Mastroianni (o pai falido e os filhos estavam todos “bem”: o que era maestro, na verdade apenas tocava um tambor – tipo Thaciano, “o protetor da zaga” (sic), PV, DB, Alisson, PM, Chorin, Everton, Luis F, etc?!). Mas está tudo bem...

Um chapabranquista raiz dirá: “Ah, lá vem os maus gremistas fazendo terra arrasada”. Bom, se gastar fortunas com jogadores inúteis é pouca coisa e poupar jogadores para jogarem nada e perder campeonatos e copas é pouca coisa, então OK. Criticar esse “sucesso” é ser mau gremista. Assumo a pecha.

As finais da Libertadores e da Copa do Brasil, para as quais o Grêmio poupou pra burro (não para inteligentes, se me permitem a ironia da semântica) foram um fiasco. Antes, o Flamengo humilhara o Grêmio. Há pouco, o Santos. Há dias, o Palmeiras, que empilhou jogadores jovens. Ah, o Palmeiras tem uma coisa a mais: trabalho. Um técnico que, como o Jorge Jesus, não faz rachão. Põe a malta a “jugaire”. A “treinaire”, o pá!

E vai começar tudo de novo. É como na pandemia. Os negacionistas dizem que o vírus não existe e que cabe tratamento precoce. Renato é um negacionista de treinos. Ludocloroquinismo. Ele é um crédulo do rachão, espécie de prévia do jogo... E a troca do goleiro nas finais é digna de tese de doutorado. Qualquer psicólogo mequetrefe aconselharia Renato e não fazer isso. Ruim para Vanderlei, péssimo para Paulo Victor.  Resultado? A crônica de um fiasco anunciado.

Não, não, não há pontos positivos para enxergar.  Só chapabranquistas “raiz” e os tradicionais sistemistas veem algo de bom nisso tudo. Para eles, stanno tutti bene.

Começa a Pré-Libertadores. E a choradeira. Ah, muitos jogos. E, no próximo Brasileirão, Renato poupará já na primeira rodada.  Afinal, importante é chegar nas Copas. Só que, quando lá chegar, se chegar, os jogadores estarão, paradoxalmente, exauridos. Pobrezinhos.

Renato tem mais do que estabilidade no emprego. Tem vitaliciedade.

Os chapabranquistas acham isso ruim que estou dizendo? Calma. Poderia ser pior: imaginem se o Inter tivesse vencido o Brasileirão. Aí sim, veriam o que é bom para a tosse.

Sim, eu confesso: posso escrever melhor do que isso. Mas não tenho sangue de barata. A paciência de torcedor chegou no limite.

Ontem, discutindo com alguns colorados, quase perdi minha primariedade. 

Post scriptum: meu sonho é ser torcedor chapabranca. Como faço? Cartas para a redação.

Enquanto eu não consigo ser alçado a chapabranca prata ou ouro, sigam o meu twitter @streckgremio.

O mais anti-chapabranca.


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