Ir para o conteúdo principal

Porto Alegre, terã-feira, 20 de abril de 2021.
(Próxima edição: sexta-feira, 23).
https://espacovital.com.br/images/jus_azul_especial_cigarra_2.jpg

No cansaço da pandemia, ainda temos de aguentar a IVI



Arte de Camila Adamoli

Imagem da Matéria

De cabo de esquadra foi o a matéria do atual presidente da IVI – Imprensa Vermelha Isenta, Mauricio Saraiva, quem não poupou (gastou todos, na verdade) elogios ao ex-presidente Marcelo Medeiros, do seu time de coração.

Se Mauricio fosse um pouco imparcial, um pouquinho só, teria ao menos feito retrancas. Um jornalista esperto faz retrancas. Assim como no direito se diz “salvo melhor juízo”, exatamente para não pagar “jus-micos”. Ora, no jornalismo também existe esse artificio.

Por exemplo, poderia ter lido o seu colega Rodrigo Capeto (mas não foi só ele) que alerta: “Menos receitas e mais dívidas até o terceiro trimestre: a estratégia arriscada da diretoria colorada cobra o seu preço no Internacional”. E por aí vai.

Ah, Capeto escreveu depois de Saraiva. Melhor. Agora deveria o ivista se retratar. Uma retranca com efeito ex tunc (efeito para o passado). Para não pagar “ludo-micos”, o bitcoin da imprensa desportiva..

Vejam: não estou discutindo méritos sobre a gestão Medeiros. Nem me interessa. O que quero mostrar é a IVI “esculpida em carrara”, que já não esconde seu clubismo.

Outro dia o jornalista “isento” que atribui notas aos jogadores do Inter na Zero Hora escreveu que o goleiro Daniel (que no início era o novo Gordon Banks) falhou no primeiro gol do Pelotas e quase salvou no segundo. Falhou no primeiro e quase salvou o segundo!!!

Isso dá prêmio pulitzer. É como fazer uma manchete assim: Internacional, embora não tenha sido campeão do Brasileirão, deixou 18 times para trás. Viva! Alvíssaras. Ou: de 19 clubes, Inter foi o primeiro!

No mais, irritado com a pandemia, ainda vejo nas redes sociais (essa neocaverna onde os idiotas perdem totalmente a sua timidez) policiais militares tirando selfie com um imbecil que tinha um cartaz dizendo “Julgamento pelo STM dos 11 do STF; ditadura já”. Lindo isso, não? Devem ter levado para casa para mostrar para seus filhos.

Outro sujeito com inópia mental escreveu no cartaz: “Abaixo o FGTS – viva o AI-5”. “Jenial”, não? Confunde STF com FGTS.

Não quero politizar o Jus Azul e nem fazer comentários sobre a gestão feita pela diretoria do Internacional.

Quero apenas dizer que os tempos são muito duros e deveríamos ter uma espécie de “caridade para com a inteligência do próximo”.

Por que tanta gente, junta, resolveu abusar da paciência, imitando o “Oh Catilina, até quando abusarás de nossa paciência”?

Um pouco de caridade, por favor. Se alguém quiser usar cloroquina e quejandos, OK. Mas não ponha vídeos falsos nas redes. 

E, voltando ao futebol e à imprensa esportiva: se alguém acha que a IVI não existe, também não diga nada. O silêncio pode valer muito em tempos em que todo mundo grita e ninguém tem razão. Porque já está faltando pão.

Morreu já mais gente aqui do que no Japão com duas bombas atômicas. E a malta, a súcia, a rafanalha continua a aglomerar. Como Gabigol. Como por aqui também há gente aglomerando em festas. Desrespeito para com as famílias que perderam entes queridos.

Quantas vezes sou tentado a perder minha primariedade socando os aglomeradores e o sujeito que carrega, sem máscara, cartaz querendo ditadura. De que modo o Brasil “criou” tantos néscios? A inteligência tem limites, dizem; já a ignorância é ilimitada


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser esclarecer, comentar, detalhar, solicitar correção e/ou acréscimo, etc. sobre alguma publicação feita pelo Espaço Vital, envie sua manifestação.

Mais artigos do autor