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Porto Alegre, sexta-feira, 16 de abril de 2021.
(Próxima edição: terça-feira, 20).

O Dia Mundial da Incontinência Urinária



Imagem Ecomax-Cdi.com.br

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O fato que ocorreu com o árbitro Dênis da Silva Ribeiro Serafim, durante a partida Boavista x Goiás, pela Copa do Brasil na semana passada, colocou em realce a conscientização em relação ao LUTS (sintomas do trato urinário inferior - tradução da sigla em inglês).

A Associação Nacional de Árbitros de Futebol (ANAF) se manifestou, na sexta-feira (12), sobre o caso envolvendo o profissional ligado à Federação Alagoana de Futebol (FAF). Um dia antes, ele foi flagrado urinando em campo durante a partida entre Boavista x Goiás, válida pela Copa do Brasil.

O caso logo tomou conta das redes sociais, e os internautas ficaram na dúvida sobre o que teria acontecido. De acordo com a ANAF, o árbitro teve sua boa atuação ofuscada "por uma situação extremamente incômoda para quem, assim como ele, tem incontinência urinária". A justificativa apresentada pela ANAF é que o árbitro esqueceu de tomar a sua medicação antes da partida e, por isso, foi obrigado a urinar em campo.

A entidade pediu, ainda, que a Confederação Brasileira de Futebol tivesse discernimento na avaliação, pois Dênis "é um árbitro experiente, de qualidade técnica reconhecida e não merece receber qualquer tipo de punição na esfera desportiva", visto que a condenação pública e das redes sociais veio em grande volume nas últimas horas.

O Espaço Vital tentou contato com Dênis, mas não houve retorno às mensagens.

Dia Nacional da Incontinência Urinária         

O 14 de março - transcorrido no domingo, três dias depois do raro fato ocorrido no futebol - é reconhecido como o Dia Mundial da Incontinência Urinária, data de conscientização dessa condição que faz parte de um grupo de sintomas associados à idade, também conhecidos como LUTS (sintomas do trato urinário inferior, tradução da sigla em inglês). Apesar de serem pouco falados, os LUTS são muito comuns entre os brasileiros.

De acordo com o Brasil LUTS, primeiro estudo epidemiológico sobre os sintomas urinários realizado com a população brasileira, em parceria com a Astellas Farma Brasil, eles afetam 59% das mulheres e 40% dos homens acima dos 40 anos. Em pessoas acima de 70 anos, os índices são altíssimos, chegando a mais de 95% em mulheres e mais de 70% em homens.

Segundo o Dr. Roberto Soler, diretor médico da Astellas e líder do estudo Brasil LUTS, a condição é um risco a todos. “É importante lembrar que, por mais que a doença seja vista como mais recorrente em idosos ou mulheres no pós-parto, ela pode acometer qualquer pessoa em todas as idades.”

A maioria dos pacientes apresenta alterações no armazenamento e esvaziamento da bexiga, e os sintomas abrangem algumas condições, como a hiperplasia prostática benigna e a bexiga hiperativa. O médico Roberto Soler recomenda ser importante ficar atento aos principais sinais. “Entre os sintomas mais comuns estão o aumento da frequência urinária, que implica na necessidade constante de ir ao banheiro; jato fraco de urina; necessidade de levantar diversas vezes à noite para urinar; urgência urinária, que representa uma necessidade incontrolável, mesmo com volumes baixos de urina na bexiga; e gotejamento nas roupas íntimas”, esclarece.

Embora os sintomas sejam alarmantes, a resistência em buscar ajuda médica é uma realidade. Segundo o Brasil LUTS, 60% dessas pessoas nunca procuram um médico para a investigação. “Muitos pacientes acreditam que os sintomas são naturais da idade, ou relutam em procurar um especialista por sentirem vergonha. Além disso, muitos deles são bastante ativos ou estão no auge de suas carreiras, por isso não querem parar para visitar um médico e acabam recorrendo a pesquisas na internet, algo que pode confundir ao invés de esclarecer”, alerta Soler.

Além do desconforto físico trazido pelos LUTS no dia a dia, eles também podem afetar o emocional e o psicológico do paciente, influenciando na depressão e na reclusão social. O adequado controle do diabetes e de condições cardiovasculares também é importante, assim como o tratamento medicamentoso, que é um dos mais utilizados, graças à eficácia de vários remédios capazes de melhorar os sintomas do trato urinário", complementa o médico. No Brasil, a taxa de procura por tratamento é baixa, ficando entre 30% e 36%.

Como mencionado, os LUTS acometem mais as mulheres do que os homens, mas as informações disponíveis sobre os sintomas no corpo feminino, são ainda menores. “Por um tempo, pensava-se que o problema era só a próstata, mas a condição pode estar ligada também à bexiga e pode ter relação com doenças cardiovasculares e neurológicas”, comenta o médico Soler.

Dentre as mulheres que buscam por ajuda médica, 20% ainda vão ao ginecologista. “Há ainda a falta de esclarecimento de que o urologista não é apenas um médico para homens. O ginecologista pode diagnosticar a doença, mas não é o especialista adequado para o assunto”, completa.

Com o objetivo de conscientizar a população sobre os LUTS, a Astellas, em parceria com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), criou a campanha #ChegadeAperto, que visa desmistificar as condições e fazer um alerta para pessoas que, ao ouvir sons de líquidos, não conseguem conter a urgência de ir ao banheiro, já que este é um dos sintomas urinários que gera incômodo e agravo da qualidade de vida.

 


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