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Porto Alegre, terã-feira, 20 de abril de 2021.
(Próxima edição: sexta-feira, 23).

Um engodo à brasileira



Chargista Adão – UM BRASIL.COM

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Por Luiz Mário Seganfreddo Padão, advogado, OAB/RS nº 33.602

padao@padao.com.br

Brasil, dia a dia vilipendiado e sacado por espertalhões.  Um País enorme e sem alma, sem luta, sem galhardia de um povo carente que aceita migalhas e de uma classe culta que busca sempre seus próprios benefícios. Governos de si próprios, que visam sempre à perpetuação do poder, a qualquer custo. 

Não temos direção, nem perspectivas, um gigante pela própria natureza, simplesmente.

Então surge a Lava-Jato. O esgoto político e seus meandros vêm à superfície, uma parte desta trama urdida há décadas, bilhões afloram do ralo da corrupção, como se não fosse nada, com cinismo retumbante de explicações estapafúrdias de seus protagonistas.

O Assalto ao Trem Pagador é moeda de troco. A sangria do povo jorra por contas e remessas ao exterior, enquanto a pobreza e a miséria do povo clamam por gorjetas ou auxílios na crescente dependência Estado-miséria, reféns da própria tragédia.

Por instantes nosso coração palpitou por um destino de correção. A Lava-Jato era o início de uma aparente nova era, que levaria o destino de uma nação ao controle de primazia da ética e correção, tamanho era o anseio popular que os Tribunais Superiores não tiveram a coragem de amordaçá-lo, ou contrariá-lo, ficaram silentes, aguardando o momento oportuno de recolocar tudo em seu devido lugar. 

De nossos anseios e expectativas, criamos um mártir, Sérgio Moro.  Nosso ícone acabou sendo engolido pela própria vaidade e o sistema putrefato do País se encarregou de todo o resto. Aos poucos, a pandemia e sua tragédia alteraram o foco deste viés de correção.

É momento de ação! Heróis e mártires, em passe de mágica, se transformam em bandidos, verdadeiros persecutores paranoicos de crimes não havidos. Uma esquizofrenia judicial de teses conflitantes e vazias, tudo no ar da graça e do invólucro de togas de que se revestem os super-heróis da nação, cujo objetivo é a garantia de retorno à nossa própria natureza.

Afinal, somos um engodo e uma nação fadada ao próprio fracasso, enquanto não tomarmos por rédeas o próprio destino.


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser esclarecer, comentar, detalhar, solicitar correção e/ou acréscimo, etc. sobre alguma publicação feita pelo Espaço Vital, envie sua manifestação.

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