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Porto Alegre, sexta-feira, 17 de setembro de 2021.
(Próxima edição: terça-feira, 21).

A elite do funcionalismo que não descansa na busca de privilégios



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Nota do editor.

Este espaço, quinzenalmente assinado pelos advogados Guilherme Conrado Losekann e Leonardo Losekann, é ocupado hoje pelo deputado estadual Giuseppe Ricardo Meneghetti Riesgo, um jovem advogado (26 de idade). Ele foi eleito no RS em 2018, pelo Partido Novo.

O Rio Grande do Sul foi capturado

Por Giuseppe Riesgo, deputado estadual - giuseppe.riesgo@al.rs.gov.br 

Confesso que, nesse artigo, gostaria de poder tratar de um tema mais leve. No entanto, enquanto uma elite do funcionalismo público não descansar no aumento dos seus privilégios, acredito, não podemos relaxar também. O tema surge à luz da (auto) concessão do auxílio-saúde aos membros e servidores do Poder Judiciário, do Ministério Público e, agora, do Tribunal de Contas do Estado também.

O “trenzinho da alegria” se junta à Defensoria Pública e pretende instituir, em plena pandemia, mais um privilégio disfarçado de justiça na ânsia de aumentar seus proventos que, devido à crise, estão congelados até o final de 2021, pelo menos.

Assim, de ofício, baseando-se em uma resolução do Conselho Nacional de Justiça, esses Poderes e Órgãos instituíram um auxílio que pode, no caso do Membros do Tribunal de Justiça, chegar a R$ 3.546,22 a mais nos seus salários, já bem generosos. O impacto fiscal da medida para o Estado pode passar do meio bilhão de reais, por ano. Um descalabro que, aparentemente, faz-me pensar que a crise, após um ano, ainda não chegou aos nossos magistrados, conselheiros, defensores e promotores públicos.

O assunto e a falta de solidariedade na crise escandalizaram a opinião pública e nós resolvemos que devíamos tomar alguma atitude na esfera legislativa também. Por isso, nossa bancada, junto a mais de 20 deputados, protocolou um projeto de decreto legislativo (PDL), a fim de sustar o imoral ato administrativo dessas categorias do serviço público que, em descumprimento à reserva legal do Parlamento gaúcho, resolveram debochar da população, obrigando-a a bancar mais essa regalia autoconcedida, justamente, em meio à bandeira preta no RS. 

A grande verdade é que uma parcela da elite do funcionalismo do Estado não está nem aí para quem paga a conta. Do conforto dos seus lares, em home office, com emprego e estabilidade salarial mais do que garantidos, se alijam da realidade dos milhões de brasileiros e gaúchos que convivem com o fechamento dos seus negócios e o fim dos seus empregos durante esses tempos de pandemia.

Nietzsche alertava que ao olhar muito tempo para o abismo, ele tende a olhar de volta para você. Do vazio de suas almas, de tanto olhar para as trevas, esta tomou aqueles que – incapazes de se solidarizar com o povo –, ficaram perdidos em meio a própria e profunda escuridão.

Que repensem, mudem e se livrem da desgraça que é viver somente para si mesmos.


A PALAVRA DO LEITOR

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