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Porto Alegre, terã-feira, 20 de abril de 2021.
(Próxima edição: sexta-feira, 23).

Paciente ou réu?



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Dr. Plínio Baú

Por Plinio Carlos Baú, MD. PhD., professor titular do Departamento de Cirurgia da Escola de Medicina da PUCRS – pliniocbau@hotmail.com

Pois é.

Por que chamar o réu de “paciente”?

Acompanhando os trabalhos do Poder Judiciário, tenho observado com maior frequência os doutos ministros utilizarem o termo “paciente” ao se referirem ao réu. Certamente não serei eu o único médico a sentir-se incomodado com isso.

Nós, médicos, tratamos de pacientes. 

Juízes julgam réus.

Paulo Flávio Ledur, um dos maiores linguistas deste país, fez, no Espaço Vital, uma vigorosa análise sobre o assunto. Palavras não têm um sentido único. Culturas diferentes atribuem diferentes significados às palavras. Procura-se explicar através de definições dos termos nos melhores dicionários onde encontramos alguma aproximação entre os termos “paciente “ e “réu“.

Há um evidente exagero entre nossos juristas ao empregar as duas palavras como se fossem sinônimos.  Não me agrada que réus sejam chamados de pacientes. Não chamo meus pacientes de réus.

Portanto, não são sinônimos. Nossa língua - ”última flor do Lácio, inculta e bela“  - já é suficientemente complicada. Não precisamos da ajuda do Poder Judiciário para torná-la ainda mais confusa.

Resta concordar com o professor Ledur que conclui por dispensar o exibicionismo, e propõe tratarmos pacientes como pacientes. E réus, como réus.

Leia na base de dados do Espaço Vital:

Paciente ou réu? A análise do especialista Paulo Flávio Ledur.


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