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Porto Alegre, terça-feira, 3 de agosto de 2021.
(Próxima edição: sexta-feira, 6).

Morre na prisão o autor da maior fraude financeira da história de Wall Street



Reprodução CNN

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O megainvestidor Bernie Madoff, 82 de idade - ex-presidente da Nasdaq e autor da maior fraude financeira da história de Wall Street -morreu anteontem (14) numa prisão.  Ele admitiu ter causado prejuízos de US$ 65 bilhões. Em 2009 foi condenado a 150 anos de prisão e logo recolhido a uma cadeia.

Nos EUA não se espera o trânsito em julgado e o “garantismo judicial” não prospera. O trânsito em julgado da condenação ocorreu dois anos depois, em 2011.

Em 2020, os advogados de Madoff apresentaram documentos médicos para, em meio a pandemia, tentar libertar o condenado “com doença renal em estágio terminal e outras condições médicas crônicas”. O pedido foi negado.

Procedimentos policiais e judiciais confiscaram apenas US$ 4 bilhões vinculados pessoalmente ao estelionatário. De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, o Fundo de Vítimas de Madoff fará, ainda este ano, pagamentos a cerca de 30 mil pessoas em todo o mundo que foram enganadas pelo financista.

A Nasdaq Stock Master é um mercado de automatizado de papeis estadunidenses, onde estão listadas cerca de 2.800 ações de diferentes empresas, em sua maioria de pequena e média capitalização. É o segundo maior mercado de ações em capitalização de mercado do mundo, depois da Bolsa de Nova York.

Outros detalhes

  • Um administrador judicial nomeado pela Justiça de New York recuperou mais de US$ 13 bilhões de cerca de US$ 17,5 bilhões que os investidores aplicaram nos negócios de Madoff. No momento da prisão do estelionatário, extratos de conta manipulados informavam falsamente aos clientes que eles tinham ativos em valor superior a US$ 60 bilhões.  Embora o escândalo envolvendo Madoff tenha ganho as manchetes por anos, ainda há muitos fatos que as pessoas desconhecem sobre a maior fraude financeira da história de Wall Street.
  • Como o estelionatário Charles Ponzi, cujo golpe em 1920 lhe rendeu um lugar de destaque no mundo do crime, Madoff prometia gerar retornos impressionantes para seus clientes. Na prática, ele estava pagando aos investidores existentes com dinheiro de novos. Ele nunca investiu um centavo do dinheiro confiado pelos primeiros milhares de clientes.
  • A diferença é que a fraude de Ponzi foi breve e durou um ano. Já a de Madoff permanceu por pelo menos 15 anos e atingiu um nível de respeito e aclamação entre os profissionais de finanças muito maior. Seus milhares de clientes confiaram, a ele, mais de US$ 19 bilhões.
  • Com a promessa de entregar retornos estáveis por meio de mercados em alta e baixa, Madoff construiu uma reputação tão excelente que teve de recusar alguns investidores em potencial. Ele tinha casas em Manhattan e Montauk no estado de Nova York, Palm Beach, na Flórida, e Cap d'Antibes, na Riviera Francesa. Ele navegou em um iate chamado “Bull” e esbanjou joias com sua esposa, Ruth.  

O começo da queda

A fraude entrou em colapso em dezembro de 2008, quando os mercados de ações em queda fizeram com que os clientes buscassem mais saques do que Madoff poderia acomodar. Aos filhos, ele confessou que tudo não passava de uma farsa.

Madoff se declarou culpado, em março de 2009, de fraude, lavagem de dinheiro, perjúrio e roubo. No tribunal e em entrevistas posteriores na prisão, ele insistiu que dirigiu um negócio de investimento genuíno por muitos anos antes de se descobrir incapaz de manter os retornos generosos que seus clientes passaram a esperar.

Ele admitiu que a fraude começou no início dos anos 1990, durante um período de recessão para a economia dos Estados Unidos, e que "acreditava que isso acabaria em breve e eu seria capaz de me livrar e meus clientes. Com o passar dos anos, percebi que minha prisão e este dia chegariam inevitavelmente”, disse ele.

Os promotores disseram que a fraude começou na década de 1980, se não antes.

Embora Madoff dissesse que só ele era o responsável, outros também foram para a prisão. Um deles foi o seu irmão, Peter, o diretor contábil da empresa, que se confessou culpado de fraude de valores mobiliários e falsificação de registros e foi condenado a 10 anos de prisão.

Quanto ao próprio Madoff, ele perdeu não apenas sua riqueza e liberdade, mas também os fortes laços de família. O mais velho de seus dois filhos, Mark Madoff, que havia sido chefe de vendas da empresa, se matou em 11 de dezembro de 2010, segundo aniversário da prisão de seu pai. Sua morte foi a gota d'água para sua mãe, Ruth Madoff, romper com o marido.

“Fui responsável pela morte do meu filho Mark, e isso é muito, muito difícil”, disse Bernard Madoff em uma entrevista por telefone da prisão em maio de 2013, de acordo com a CNN Money. “Eu vivo com isso. Vivo com o remorso, a dor que causei a todos, certamente à minha família e às vítimas ”.


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