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Porto Alegre, sexta-feira, 14 de maio de 2021.
(Próxima edição: terça-feira, 18).

Surreal: a mega rede Carrefour se coloca no lugar dos deuses



Danilo Verpa/Folhapress

Imagem da Matéria

Por Carlos Alberto Barata Silva Neto (OAB/RS nº 76.596), Hamilton Ribeiro (OAB/RS nº 35.975) e Gustavo da Costa Nagelstein, (OAB/RS nº 69.784). 

carlos.barata@bsbv.com.br ; advhamilton@gmail.com ; gustavo@nagelstein.adv.br

Após encerradas as tratativas com a viúva Milena, depois de oferecida indenização igual à dada ao cachorro “Manchinha”, o Carrefour que já foi polícia, promotor, juiz e carrasco de Beto Freitas, agora - no alto de sua arrogância - resolve o “quantum” indenizatório do caso do cliente assassinado ao tentar sair da loja Passo d´Areia, em Porto Alegre.

Sem nenhum acordo, o Carrefour deposita dinheiro na conta da viúva, como um “cala a boca” e uma forma de pressioná-la a aceitar um valor justificadamente já recusado.

Dias atrás a própria o hipermercado ofereceu valores maiores do que estes agora depositados, deixando evidente o seu modo autoritário de conduzir as negociações; ou seja, oferece “XX” num dia; caso seja negado, deposita “X” no outro e ponto final.

O Carrefour não respeita a viúva, seus advogados, o sistema jurídico pátrio e a população brasileira, decidindo qual o valor de sua responsabilidade e a indenização que a viúva merece receber.

A situação se agravou! Isso porque após o anuncio da realização da consignação extrajudicial, ocorrido através da assessoria de imprensa do Carrefour no dia 28/04/2020, Milena vem recebendo inúmeras ligações de pessoas desconhecidas pedindo-lhe dinheiro emprestado, gerando mais medo e aflição, exclusivamente em razão dessa atitude unilateral do hipermercado.

Não satisfeito o Carrefour propaga na mídia que a viúva NÃO aceita o acordo em razão da proibição por seus advogados, e ainda que estes estariam prevaricando contra a cliente, cobrando valores abusivos de honorários profissionais, acima do que permite a tabela da OAB, o que é veementemente negado pelos signatários.

O acordo não foi aceito. A indenização não foi paga. O Carrefour pagará o que o Poder Judiciário definir, nem mais, nem menos. Os advogados de Milena já estão preparando demanda indenizatória com pedido de retratação, que será ajuizada nos próximos dias, em decorrência das injúrias caluniosas propagadas pelo Carrefour.

Tocante ao processo criminal, trata-se de um feito complexo pela pluralidade de réus e pela repercussão da causa. Por conta disso, a instrução processual será longa, tanto que se estenderá por mais de quatro meses.

Agora no mês de abril a titular da 2ª Vara do Júri de Porto Alegre, juíza Cristiane Busatto, designou as datas, começando com a oitiva das testemunhas arroladas pelo Ministério Público. As audiências seguirão de agosto até dezembro. Caso não haja qualquer imprevisto, a oitiva das testemunhas pode acabar neste ano de 2021. No entanto, em se tratando de processo, imprevistos são comuns e rotineiros, haja vista que advogados tem estratégias que podem dificultar o regular andamento do processo e, via de consequência, retardar o encerramento dessa primeira fase do processo.

Por fim, importante referir que, uma vez que trata-se de processo de competência do Tribunal do Júri. Encerrada essa primeira fase de produção de provas e oitiva de testemunhas, a juíza presidente profere uma sentença que decide se absolve ou se remete os réus a julgamento pelo conselho de sentença, oportunidade em que, caso sejam pronunciados, serão julgados por sete pessoas do povo, ou seja, júri popular.

Seguramente se fará justiça, já que a cruel partida de Beto Freitas é um desígnio sem volta.


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