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Porto Alegre, terça-feira, 3 de agosto de 2021.
(Próxima edição: sexta-feira, 6).
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Com o buraquinho era mais caro...



Imagem: Youtube

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Entre o marasmo de audiência de instruções processuais repetitivas, o magistrado depara-se com um pedido de diferenças salariais pedidas pelo porteiro. Ele ganhava comissão incidente pelo valor pago pelo cliente.

Tanto o trabalhador como o dono do motel eram pessoas muito simples, o que permitiu concluir pela singeleza do estabelecimento.

Mais certeza teve o juiz disso quando vieram à baila os preços atribuídos pelo uso dos aposentos.

A questão central era exatamente esta: o faturamento. O reclamante dizia que era “tanto”; e a empresa reclamada, insistia em  “menos tanto”.

É apregoada a primeira testemunha. Trata-se de um homem típico da região da fronteira: franco e direto.

Após o juiz solicitar que ele depositasse, sobre a mesa, a faca que trazia na guaiaca, começam as perguntas.

- Qual a sua função?

- Segurança!

- O motel tinha muito movimento?

- Às sextas e sábados a sem-vergonhice era maior, tinha até fila. Gente de carro, gente de bicicleta e até a cavalo...

O juiz passa então a perquirir a testemunha sobre os preços.

- O instante era dez reais. O cochilo depois do almoço custava vinte. E os demorados que cruzavam a madrugada pagavam cinquenta.

O depoente faz uma pausa. Olha para o juiz e, reticente, surpreende a escassa plateia:

- Com o buraquinho era mais caro...

O juiz, reconhecidamente religioso, fica estarrecido pelo conteúdo da afirmação que, perigosamente, apontava para, no mínimo um aspecto pecaminoso – ou até devasso - da vida mundana.

O magistrado pede licença, sai da sala, pede um cafezinho e preocupado fixa os olhos na imagem de Nossa Senhora Aparecida que está sobre a sua mesa. Reconstituído, fortalecido para "o que der e vier", ele retoma o assento à sala e à palavra:

- Tenha cuidado com o que disser, pois estamos em uma solenidade judiciária. E responda que Vira Quinho era mais caro? 

- Doutor, não quero ser mal entendido. É simples, as paredes eram de madeira, todos ouviam tudo. Mas um dos quartos tinha um furo na parede, foi um nó de pinho que caiu. Quem estivesse nele poderia ver as sem-vergonhices do quarto ao lado. Custava vinte reais a mais.

Só assim o magistrado pode entender o fundamento das diferenças de comissões. O acréscimo visual não estava na tabela. A diferença relativa ao buraquinho era "por fora"...


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