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Porto Alegre, sexta-feira, 18 de junho de 2021.
(Próxima edição: terça-feira, 22).

Mulheres durante a pandemia



Imagem: MaisAbraços.com

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Carolina Alt

Por Carolina Alt Silva, advogada  (OAB/RS nº 113.399)

carolina@altesilva.com

Em homenagem ao Dia das Mães, celebrado no último domingo (09), é imprescindível refletirmos sobre a atual realidade de milhares de mulheres, trabalhadoras brasileiras, que foram submetidas ou, em alguns casos, encontraram, como única alternativa producente, uma nova forma de trabalho: o home-office.

E antes de adentrarmos, especificamente, à análise dessa nova realidade, é importante que observemos que por mais que a participação feminina tenha ganhado espaço na sociedade de uma forma geral, a desigualdade entre homens e mulheres continua sendo expressiva no atual cenário brasileiro. Sabemos que a responsabilidade pelas tarefas domésticas, bem como pelos cuidados requisitados pelo núcleo familiar ainda é direcionada exclusivamente ao gênero feminino.

Assim, é inegável que a transição do trabalho presencial para o remoto não só intensificou o convívio familiar como gerou grandes exigências no cotidiano, além de dificuldades em estabelecer limites entre a vida pessoal e profissional. Levo em consideração as inúmeras funções exercidas, concomitantemente, pelas mulheres, como por exemplo: a maternidade, atividades domésticas e o próprio labor produtivo.

Por conseguinte, é sabido que o número de famílias monoparentais femininas, ou seja, famílias constituídas por mães solo - que, além de trabalhadoras, necessitam prover o sustento do lar e cumprir com todos os deveres inerentes ao poder familiar, sem uma mínima rede de apoio = cresce expressivamente ao longo dos tempos.

Por óbvio, essa é uma missão árdua e que demanda atenção, participação, dedicação, e cuidados contínuos e em tempo integral, principalmente em período de pandemia, o que certamente deve ser considerado como um grande desafio a ser enfrentado por elas.

Em recente pesquisa realizada pela empresa social Gênero e Número em parceria com a Sempreviva Organização Feminista, a partir de dados coletados com 2.641 mulheres brasileiras, foi constatado que a maioria absoluta (correspondente a 80% das entrevistadas) teve um aumento expressivo nas funções domésticas. Inexistiu qualquer melhora na distribuição das tarefas da casa e dos cuidados com a família, sendo tais tarefas desempenhadas exclusivamente por elas.

Em suma, é importantíssimo que se traga à baila os desafios impostos a essas mulheres, trabalhadoras, mães, muitas delas, chefes de família, que precisam, além de conciliar trabalho e atividades domésticas, manter a qualidade da maternagem. Ainda mais sobrecarregadas, em razão do acúmulo e acréscimo de tarefas e obrigações impostas pelo atual cenário pandêmico. A conjunção, infelizmente, demonstra e comprova a realidade discriminatória enfrentada, cotidianamente, pelas mulheres ainda submetidas às regras de uma sociedade historicamente patriarcal.

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(*) Especialista em Direito de Família e Sucessões – PUC/RS; mestranda no Programa de Pós-Graduação em Direito e Justiça Social da FURG; diretora-presidente do Núcleo IBDFAM Bagé/RS.


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