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Porto Alegre, sexta-feira, 18 de junho de 2021.
(Próxima edição: terça-feira, 22).

Ser criminalista é trabalhar com a dor



Foto Adobe Stock

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daiane

Por Daiane de Oliveira, advogada (OAB-RS nº 102.311) 

daianeoliveiraadvogada@gmail.com

Toda a vez que afirmo ser criminalista, escuto: “Você defende bandido? Que absurdo! Como consegue?”

Já ouvi esse preconceito de colegas de profissão. Fico triste. Mas não defendo bandido. Defendo o direito. Defendo a Constituição Federal e o Estado  Democrático de Direito.

Criminalista não defende o crime cometido. Defende o devido processo legal e a ampla defesa do acusado. Sou contra o abuso do Estado ou seja de quem for, contra meu cliente. Quero e defendo o respeito aos princípios constitucionais.

Ser criminalista é trabalhar com a dor. A dor da morte, a dor da perda, a dor da agressão, a dor da prisão.

É tentar entender o que levou uma pessoa a praticar um delito. É impedir que o Estado massacre uma pessoa sem o devido processo legal. Que esqueça um cidadão dentro do sistema prisional.

Ser criminalista é ver uma família chorar. É ver o réu chorar. A vítima e os familiares desta. Trabalhamos diretamente com a dor. Vou confessar: é pesado.

Dói ver um familiar angustiado. Dói ver teu cliente preso. Dói saber que alguém morreu. Dói saber que o princípio da celeridade processual não é respeitado. Que um processo se arrasta por anos...a morosidade para quem está preso é cruel.

Quem milita nessa área cansou de ver os olhos do pré-conceito. A opinião pré-formada de que advogados criminalistas só defendem bandido.

Mas opinião muda. Sabe quando? Quando um familiar responde um processo penal. Quando o cidadão é alvo de uma acusação injusta. Nesse momento as pessoas entendem a real função de um advogado criminalista e a opinião pré-formada, caí por terra.

Eu tenho orgulho em trabalhar na área criminal!


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