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Porto Alegre, sexta-feira, 18 de junho de 2021.
(Próxima edição: terça-feira, 22).
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Guerrinha, o “time lata de lixo”, a IVI e a tristeza do Jeca!



Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

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O Jeca Tatu é um personagem conhecido no folclore.  Monteiro Lobato mostrou que se tratava de um círculo vicioso. O Brasil era Jeca Tatu. Tomado de nematódeos das espécies Necator americanos. A dupla Tonico e Tinoco retratou em música essa melancolia desse jequismo, na música Tristeza do Jeca.

Ouvindo e lendo a crônica esportiva depois da vitória do Grêmio no Gre-Nal de virada, senti um jecatatuismo no ar. Uma imensa tristeza. Um quase desânimo de alguns cronistas vermelhos e de ivistas (note-se: vermelhos na crônica não são o mesmo que ivistas, os quais são disfarçados, camaleões).

Guerrinha, um vermelho não isento (VNI), chegou a dizer que a Sul Americana era segunda divisão. E que o time do Grêmio, com Renato, era um lixo. A gravação está rolando por aí. Ele falou duas vezes. A letra dessa música do Guerrinha esculhambando o time do Grêmio será gravada pelos filhos de Tonico e Tinoco. Ou pelos netos. A Tristeza de Guerra.

Essa tristeza também se nota em Mauricio Saraiva, o fã do Nilson. Todos pareciam cansados depois da virada. Correram muito. Nem falo do capitão Reche.

(Para ver e escutar a bílis do Guerrinhaclique aqui.)

Sigo. Depois do jogo, o diretor Marcos Hermann disse algo que renatistas raiz como Ilgo Wink não devem ter gostado. Isto é: Hermann deu razão a gente como RW e eu, que criticávamos a pouca prática de uma coisa velha chamada “treinos intensos com jogadores”, por vezes substituídos por “rachões”.

Como disse Hermann, chegávamos aos 20 do segundo tempo cansados. Estamos melhorando. A nova gestão do futebol fechou o departamento de lapidação, que funcionava fortemente no ancién regime. Vejam o goleiro Brenno que nem no banco ficava!

E os meninos estão fazendo gols. E os treinos foram intensificados. Vejam: claro que existiam treinos; só não com a intensidade necessária.

Ser crítico é necessário. Repito: adesão irrestrita não é torcida; é fanatismo. Um pouco de distanciamento para enxergar os erros de um técnico ou de direção são indispensáveis. De qualquer técnico, de Roger a Tiago, passando por Renato. Em qualquer lugar: na política, nas profissões, etc. Temos de ter senso crítico e apontar erros.

Isso nos faz grandes, caríssimo e estimado Ilgo Wink (falo nele porque sei que ficou muito irritado porque RW e eu – e outros – falamos que havia pouco treino e muito rachão).

Estamos juntos. Somos gremistas. E quando Guerrinha ataca o time de Renato, sou como David Canabarro respondendo ao General Rosas: assinarei a paz com os inimigos com o sangue do primeiro invasor argentino. Parafraseando, juntar-me-ei com todos os setores da torcida gremista para enfrentar detratores como Guerrinha e quejandos.

Resumindo: juntos, temos de criticar a IVI e os VNIs. Temos de criticar gente como Guerrinha, que quer dar uma de isento e na hora H perde as estribeiras e chuta o pau da barraca.

Talvez o nosso Guerra Jeca tenha proferido a mais grave ofensa já feita ao Grêmio no interior da crônica esportiva – que deve fazer uma autocrítica. Urgente. A começar pelas notas de jogadores na ZH, hoje já motivo de chacotas. Basta lembrar das notas de uma vitória do Grêmio por 3 gols e o time não passou por média.

De todo modo, Guerrinha talvez seja a ponta do iceberg de que há algo de podre no reino dos esportes. Perderam o controle.

Liberdade não quer dizer passar a mão na bunda do guarda, se me entendem o sarcasmo.

Esse falso isentismo – talvez essa seja a parte boa de Guerrinha, porque não esconde ser vermelho – tem de ser reavaliado.  Do jeito que está, mais parece a música Tristeza do Jeca:

Não tem um que cante alegre

Tudo vive padecendo

Cantando pra se aliviar

Vou parar com minha viola

Já não posso mais cantar

Pois o jeca quando canta

Da vontade de chorar

E o choro que vai caindo

Devagar vai se sumindo....


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