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Porto Alegre, sexta-feira, 17 de setembro de 2021.
(Próxima edição: terça-feira, 21).
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A crise da advocacia gaúcha



Arte EV

Imagem da Matéria

Na última terça-feira (18), a coluna "Um, dois, três. Já!", titulada pelo Dr. Marco Antonio Birnfeld, editor deste independente Espaço Vital, rememorou a triste cronologia da crise da advocacia gaúcha, que atualmente enfrenta o seu ápice, muito em decorrência de um sistema judiciário que não entrega o que promete.

Talvez estejamos diante da maior crise já vivenciada pela advocacia, na conjunção de todos os fatores.

As mazelas experimentadas pela advocacia são variadas. Tem como ponto de origem e referência a greve dos serventuários; estes, nos últimos meses de 2019, ficaram praticamente dois meses paralisados. Depois veio o recesso forense. Passadas as festas carnavalescas, foram retomadas as atividades. E de repente, a pandemia parou o mundo. E o sistema de processo eletrônico do TJRS deixou às claras a sua ineficiência, por falta de prévia digitalização.

Aqui no nosso Estado, é um vai-e-vem de cores e bandeiras. Um repetitivo abre-e-fecha fóruns. A pandemia retornou com toda a força no início de 2021. E do nada, final de abril, o ataque hacker ao Judiciário gaúcho. Uma agressão virtual nunca antes vista na história da Justiça brasileira. Literalmente a justiça gaúcha caiu, foi à lona. Nocaute, triste nocaute!...

Nesse lapso temporal, o advogado acabou sendo escanteado, na exata acepção do termo. Tal situação nos faz relembrar o passado, não muito distante.

Como filhos e netos de advogados que somos, vivenciamos e presenciamos os passados tempos áureos da advocacia. Desde crianças frequentamos o escritório de advocacia. Já no início da adolescência, realizávamos o serviço de carteiros do escritório.

Todos os dias, de bicicleta, em nossa cidade (Agudo) no interior do Estado, a pontual ida ao correio, às duas horas da tarde. Postar as correspondências do escritório, e buscar as cartas, etc. disponíveis na caixa postal dos Correios. Salário de R$ 10 por semana, a cada um de nós. Temos saudade desse tempo. Vivemos a advocacia desde muito jovens. Desde sempre, praticamente.

Víamos o escritório lotado, vai-e-vem de clientes, notas de expediente publicadas aos montes pelas varas Judiciais. Grandes casos aportando no escritório. Eram outros tempos - em que também não existiam tantos advogados. Existia uma considerável reserva de mercado.

Em pleno 2021 – depois da conjunção da estrepitosa queda do Judiciário gaúcho a partir de setembro de 2019 - podemos afirmar com triste convicção: advogar já foi mais bonito. Já foi mais prazeroso. Já foi menos estressante, até mesmo menos angustiante. E também já foi muito mais rentável. Afinal, é preciso colocar comida na mesa todos os dias.

Hoje agradecemos, todos os dias, pelo trabalho que possuímos, pelos clientes que temos, pelos honorários que recebemos. Mas sabemos que existe uma grande quantidade de colegas passando por todos os tipos de apuros imagináveis – e talvez, até, inimagináveis.

São colegas que já não têm a advocacia como fonte de renda, pois é uma atividade que não garante salário todo o mês na conta. São colegas que se veem obrigados a buscar outro ramo de atividade para prover a própria subsistência e a de suas famílias. Ou até mesmo colegas que, infelizmente, acabam abandonando a profissão, haja vista as demasiadas e severas dificuldades infligidas.

Este é o triste cenário de grande parte da atual advocacia gaúcha. Justiça paralisada. Classe desamparada.

E o advogado a Deus dará...

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Leia na base de dados do Espaço Vital: Coluna 1,2,3. Já!

O caos do Judiciário gaúcho começou há 20 meses


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