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Espaço Vital, terça-feira, 07.12.
(Próxima edição: sexta-feira, 10.12)
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Cheiro de Gre-Nal



Joel Vargas/PMPA

Imagem da Matéria

Um domingo com temperatura agradável e o sol pintando Porto Alegre. É primavera, mas estou entre aqueles que imaginam que nossa cidade foi concebida para o outono. É na estação em que ela adquire um colorido todo especial e já é possível sentir pela manhã e à tarde o ar mais gelado que, como dizia um amigo, faz a curva na Terra do Fogo e ruma para cá.

Ao me aproximar do Beira-Rio, nas calçadas e nas ruas predominavam o vermelho e o branco. Há para cada torcedor um estilo: os guerreiros; os de bandana; as moças de calças e blusas justas; os chefes de família – sempre à frente da mulher e dos filhos com um radinho encostado na orelha e assim por diante. O espetáculo protagonizado por pessoas é ímpar. Em várias viagens a cidades desconhecidas, sentava-me em um café, pedia algo para beber e permanecia “reparando nos outros”, com diria a minha avó.

Havia uma atmosfera de inquietude, pois o adversário, aquele que nos “gatunou” o título de 2005, disputava diretamente uma pretensa vaga para a Libertadores de 2022.

Desde o triste episódio, motivo de vergonha para o futebol brasileiro - que tenho atravessado na garganta -  o tal de Corinthians (em grego, o nome significa filho de Júpiter). Uma modesta escolha, pois o planeta em questão é o maior do nosso sistema solar.

Mas o nome foi dado em razão de um time inglês: Corinthian’s time. Na apropriação do nome o “s” veio de contrabando. Bem, mas o paulista gosta mesmo é de chama-lo de “curintia”.

No confronto o Internacional foi firme e quase sempre buscando o resultado da vitória. Com ela a tarde de domingo teria tido uma chave de ouro.

Entendo que faltou um pouco mais de ousadia, de ofensividade. Entretanto, sei que o campeonato é de pontos corridos, o que não se  pode é perder para o adversário direto. Veio o empate que, ao meu sentir, tem gosto de alface com chuchu.

Admiro jogadores sanguíneos que jogam com sangue nos olhos. Prefiro eles aos burocráticos. Entendo o Patrick, mas ficaremos sem ele na disputa com o São Paulo.

Digamos: um olho com sangue e o outro com serenidade.

O Gre-Nal já está no horizonte e pode valer muito para a dupla.


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