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Edição de sexta, 1 de julho de 2022.
(Próxima edição: terça dia 5.)
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A suprema vibração



Charge de GERSON KAUER

Imagem da Matéria

Quinta-feira da última semana de outubro de 2017, era uma tarde aziaga no Supremo. Na esquentada troca de flechadas verbais entre Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso ouviram-se difamações antagônicas sob o manto da imunidade jurisdicional.

- Vossa Excelência já foi advogado de bandido internacional – disse o primeiro.

- Vossa Excelência não julga, não fala coisas racionais, está sempre com ódio de alguém – rebateu o segundo.

E por aí se foram os dois, em farpas cada vez mais pesadas, até que a presidente Cármen Lúcia interrompesse - “por alguns minutos” - a sessão.

A notícia do confronto verbal se espalhou como um rastilho em Brasília e, rápido, mais operadores jurídicos foram chegando à corte, pensando em - na retomada dos trabalhos – escutar novas farpas ao vivo, e/ou assistir um imprevisível desfecho.

A segurança do STF reforçou presença na sala de sessões e resolveu, também, aplicar o que seus agentes chamam de “cana dura”. É a dica que significa ser minuciosamente exigente na revista dos pertences pessoais de todos os que chegam – mesmo os mais conhecidos e idôneos frequentadores.

O inédito rigor fez encher o armário de inusitados objetos guardados temporariamente: biscoitos de polvilho, bolachinhas recheadas, determinados cigarros, cremes, géis e isqueiros, um par de sapatos altos guardados numa bolsa e... um vibrador – daqueles que servem para relaxar pessoas tensas.

Na saída, na hora da devolução, a segurança fez compenetrada discrição: não revelou quem eram os felizes donos dos objetos, entre estes um estimulador sexual, de cor azul celeste, devidamente acondicionado numa caixa de bom tamanho.

E não se falou mais nisso.


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