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Edição de sexta, 12 de agosto de 2022.
(Próxima edição: terça dia 16.)
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O Grêmio e o paradoxo da SAF: uma SAF para não precisar de SAF...



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Jus Azul - Foto MARCELO OLIVEIRA/FUTURA PRESS

O título parece confuso. Uma SAF para não precisar de SAF? Simples. O Grêmio é um prato cheio para uma SAF. Sociedade Anônima de Futebol é a privatização de um clube de futebol. Ele passa a ser administrado como se fosse uma empresa.

Essa empresa, porém, tem todos os mecanismos de prestação de contas. Uma SAF, se fizer negócios como fez a diretoria do Grêmio nos últimos anos, teria seríssimos problemas com os investidores e a torcida. Uma caída para a segunda divisão pode até levar o clube-SAF à falência.

Nenhuma SAF entregaria o vestiário a um técnico e tampouco a chave do CT. Nenhuma SAF compraria jogadores como Thiago Neves, Diego Tardeli, Emerson Fake, Douglas Costa e tampouco a mãe ou o pai do Badanha.
Em uma SAF não tem mordomia e nem nepotismo, proibidos pelos estatutos. A SAF precisa atender critérios de transparência e passa por uma fiscalização maior, com riscos de falência, mas com uma tributação vantajosa. E não tem os benefícios fiscais do Profut.

Então? Sou contra o Grêmio ser uma SAF! Obviamente contra. SAF’s são problemáticas (conheço a legislação). Mas por que estou falando das vantagens da SAF? Simples. É que precisamos no Grêmio de uma coisa chamada governança. E accountabillity (prestação de contas). Que hoje não existem no clube.

O Grêmio fez e faz os piores negócios. Douglas Costa é um case de insucesso. Prêmio IgNobel de Incompetência. Pior negócio que o de Douglas Costa só o do Emerson Fake. Ou do Kleber Gladiador. Ou do Paulo Victor. Ou do... completem a frase. Só na pré-história se fez um negócio pior, quando um mamute foi trocado por um cacho de banana nanica.

Por isso advogo a tese de que precisamos de mecanismos de transparência para não precisarmos ter a Sociedade Anônima de Futebol Grêmio (SAF-Grêmio). Paradoxalmente: uma guilhotina para não precisar de guilhotina.

Haverá eleições em outubro. Eleições chamadas “gatopardistas”. Quer dizer, como em Il Gatopardo, há que se mudar...para que tudo permaneça como está.

Na contramão, alguns grupos se mobilizam para entrar no meio desse jogo. Que é de cartas marcadas. Movimentos que já são partidos. Ou que funcionam como partidos. Movimentos que fatiam o poder.

Dou meu apoio a quem tenta enfrentar esse “mecanismo”, embora eu seja um pessimista, uma vez conhecendo o modus operandi da “máquina tricolor”, se me permitem um ludo-sarcasmo.

O Grêmio é de Todos os gremistas. Os torcedores comuns deveriam tomar o poder. Lembram quando Marcos Hermann falou do torcedor comum? Sim, no Grêmio há torcedores de primeira classe e os... comuns. Para ele, há torcedores patuleus. A choldra torcedora.

Bom, indignai-vos, oh torcedores comuns! O que tendes a perder se hoje estais na segunda divisão e nada apitais? Indignai-vos, oh patuleus tricolores. Ou perecereis.

Observação: faço parte dos torcedores comuns. Portanto, sou um patuleu tricolor. Faço parte da choldra torcedora! O Grêmio é de Todos os gremistas. E não dos torcedores não-comuns.


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